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Terra Blog

07.07.09

Da refletida.

Porra, velho, agora eu fiquei de cara. Tinha essa guria, a Melany. Ela estudou comigo boa parte da minha vida. Ela sempre foi muito linda. Ela tem uma tia pela qual sou completamente apaixonado. Dizem que a tia dela é burra feito uma porta, mas eu sou gamado mesmo assim. Ela tem um rosto lindo, é alta, magra, anda e se veste com estilo. Tem um cabelo liso, muuuito liso, pelo ombro. A Melany é igualzinha a tia. Eu nunca nutri nenhuma paixaozinha infantil pela Melany, mas nem por isso deixei de achá-la linda. Eu também estudei com outra menina muuuito gata, a Nayara, que era amiga da Melany. Certo. Como eu já disse aqui mil vezes, eu fui uma criança e um adolescente insuportável. Sempre o mais bobo, o que tentava a todo custo ser mais engraçado, o mais tapado, o mais mané, o mais incomodativo.
A primeira festa que eu fui na minha vida, foi um aniversário de 13 anos da Nayara. Como ela faz aniversário em Outubro, lá pelo fim do mês, o aniversário dela foi de Dia das Bruxas. Eu lembro até hoje do convite. Tava escrito que era pra ir à caráter ou todo preto. Como eu não sabia o que era à caráter, fui e comprei uma camiseta preta. Fui pra festa. Eu estava tão feliz por ter sido convidado, que tive que atazanar todo mundo. Incomodando, dando uma de nerd bobo. Enquanto todo mundo tentava pegar alguém, eu estava ali só pra tentar chamar a atenção. Tentando ser o cult da história. Eu era muito menor do que todo mundo. Sempre fui baixinho e franzino. Cabelinho muito preto, enrrolado, penteado pro lado. Naquela época eu ainda não usava óculos. Eu não lembro se eu bebi álcool naquela noite. Acho que não. Eu andava com os sujeitos nerds da minha sala, e com certeza devo ter bebido refrigerante. Hauhauhauahuahua... enfim...
Eis que chego cedinho na festa, não tinha quase ninguém. Conforme foram chegando eu vi que quase ninguém estava fantasiado. Era uma festa normal, com gente vestindo preto. Eis que chega a Melany. Toda linda, fantasiada de bruxa. Ela sempre foi alta. Era um vestidão roxo, com um chapelão enorme, com um material de renda nas bordas, fazendo uma espécie de véu. Ela foi chegando e todo mundo foi cumprimentar. Eu estava passando bem na hora. Ela estava de costas pra mim. Eu precisava que ela me visse. Eu precisava dar oi. Eu era tão idiota, que eu achava que todas as vezes que ela me fez cara de “sai daqui, guri, pelo amor de deus” fosse uma cara de “hauhauahua... eu adoro você”. Ou quase isso... continuando... pra chamar a atenção dela, eu dou um puxão no véu. Foi um puxão mesmo. Eu não sabia que não podia puxar, então puxei. Acabei que estraguei o chapéu da guria. Desmanchei o penteado dela, porque com o puxão, o chapéu veio junto e desfez o cabelo. Assim, eu puxei e dei aquela risadinha de “ahá, sacaniei..”. Eu não consigo lembrar de todas as palavras que a guria usou pra me xingar. Hoje eu vejo que ela deveria ter me batido. Me jogado no chão e pisado no meu saco. Ela deve ter ficado o dia todo se arrumando. Em cinco minutos na festa, eu estraguei a fantasia dela. Eu lembro que ela chorou de raiva. Mesmo. As imagens que eu tenho da festa são poucas, mas uma delas é ver a Melany com os olhos vermelhos, me olhando com raiva.
Eu lembro que antes do aniversário da Nayara, teve o aniversário da Melany. Foi numa pizzaria. Eu lembro do convite também. Era todo chique, em formato de casa, com aqueles dizeres de sempre “venha celebrar comigo...”. Eu não ganhei um. O Hivan, amigo meu, ganhou. Me mostrou e disse pra eu não contar pra ninguém. A Melany tinha escolhido apenas alguns pra convidar. Eu não. Hahuahauhauahuahua....
Eu não me arrependo de ter zuado ela na festa. Ela foi cuzona comigo em não me convidar. Isso me marcou pra caralho. Hoje, como ocorreu com a gincana, eu falo de boa, porque não há mais, como dizer, marcas. Hoje eu lembro como algo que passou. Mais uma história. Na época, me deixou muito triste. Eu já tinha esse complexo de rejeição e a guria vai e me faz uma dessas. Como eu disse, pra mim, eu era agradável, gente fina, um cara legal. Mas não. Ninguém me suportava, já desde aquela época. Ter noção disso aos treze é foda.
A Melany foi embora pra Campo Grande no 1° anos. Desde então eu nunca mais tinha visto. Nunca mesmo. No final de semana a Karla me manda o orkut dela. A percebo completamente linda, mas bonita que a tia dela. Com um corpão, mesmo rosto lindo, cabelos lisos até quase a bunda. Mandei um convite pra ela me aceitar “ooi, tudo bem?? Lembrada de mim? Acho que não tão boas lembranças, rsrsrs.. aceita aee =)”.
Ela não aceitou.
Porra velho, fiquei de cara. Querendo ou não, eu estudei com a guria desde a segunda série. Foram sete anos convivendo todos os dias. A guria morava perto da minha casa. Eu nunca teria chances de comer e nunca nutri nenhum sentimento a esse respeito. Quando eu a adicionei no orkut, foi totalmente desvinculado da idéia de tentar comê-la. Foi apenas um impulso de ter encontrado uma pessoa que estudou comigo durante muito tempo e que eu não via há anos. E ela não aceitou. Ela aceitou todo mundo! A Karla, o Gabriel, o Cyrus, a Adely, a Selma... menos o preto.
Fiquei muito de cara. Tipo... sei lá o real motivo... eu ando muito paranóico com uma pergunta que ronda a minha cabeça há meses: o que eu represento às pessoas?
Pra Melany? Nada.
Bom... foda-se. Já passou. Não foi algo que inflamou a minha acédia. Não mesmo. Estou como estava antes de adicionar. Mas a sensação de não representar nada continua. Enfim... mais um post.
E olha que esse eu tirei da cartola. Nem lembrava mais dessa história do chapéu.
Beijo na bunda.
Até o próximo.

  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 16:02:48

03.07.09

Da passada de tempo.

Barbaridade, como esse mês passado foi foda. Tanta coisa aconteceu que eu nem consegui ter um tempinho pra juntar as circunstâncias de uma situação em específico para poder escrever aqui. Quando eu ia escrever, acontecia outra coisa. Isso somado ao fato de eu estar com preguiça de escrever. Preguiçona mesmo. Sem ânimo. Não que não tenho o que contar, mas o problema é que eu meio que já enjoei de fazer textos assim. Enfim, já que eu me propus a fazer o blog, tenho que escrever. Se só a day quem lê e eu ainda não escrevo, já já perco ela também e então já não vai mais fazer nenhum sentido. Foda-se. Não é pra ela que eu escrevo. Sem ofensas, Day. E acho que ando te citando demais nos textos ultimamente. Aproveite. Essa foi a última vez.
Estamos em Julho já. Engraçado para e pensar em tudo o que se passou comigo esse ano. Tanta coisa boa e ao mesmo tempo tanta coisa ruim. Nada muda e ao mesmo tempo anda tudo muito diferente. Ainda continuo sem dinheiro.
Esses dias fiz minha primeira ação judicial. Ganhei mixaria, que ficou em uma consulta médica que eu fiz. Não sobrou nada. A audiência foi marcada pra primeiro de setembro. Vamos ver no que vai dar.
Acho que peguei gripe suína. Sem sacanagem. Foi uma gripe filhadaputamente forte. Passei pra todo mundo aqui em casa. Fiquei com febre uns cinco dias e ainda estou tossindo. Tava tão foda que achei que tivesse com tuberculose, devido os sentimos. Febre todo final de tarde, tosse seca, dor no peito. Estamos todos bem já. SE é que isso importa.
Tenho ido bastante a Dourados. Pra ver esse lance da ação judicial e para ir ao médico. Não anda nada fácil ter que ir lá, dormir na casa da Karla. Não que as pessoas me incomodem, pelo contrário, tenho feito cada vez mais amigos e ganhado a confiança de pessoas interessantes. O problema é que não é minha casa. Até mesmo ficar aqui na casa dos meus pais tem sido bastante difícil. Não vejo a hora de ter o meu banheiro. Sei que isso é o que todo mundo quer, morar sozinho e ter a sua independência. Vamos ver. Eu acabei, nos últimos meses, passando a não mais planejar nada que não dependa exclusivamente de mim. É inútil planejar com os outros. Então eu não posso dizer que ano que vem será tudo diferente. Que vou ter finalmente meu apartamentinho minúsculo com minha televisão gigante. Não posso porque isso não depende só de mim. Depende de alguém querer me dar emprego. Quanto a concursos públicos, estudar é um esforço gigantesco pra pessoas que conseguem ter disciplina. Eu não tenho disciplina. Vou fazer um concurso agora em Agosto e vamos ver no que vai dar. O salário é razoável e se eu passar vou morar sozinho, longe de todo mundo. Tudo o que eu sempre quis, afinal. Veremos. Tenho menos de um mês pra estudar muita coisa. É por isso que eu não vou me animar. Não vou fazer planos. Não vou dizer que já está tudo resolvido. É tudo o que eu mais quero. Sumir em um pouco. Deixar pra trás tudo o que eu construí e que desmoronou por falta de atenção. Esquecer pessoas. Conhecer outras. Escrever a hora que der vontade sem ninguém atrapalhar.
Quanto a escrever, está tudo muito difícil também. Mas não desisto. Ninguém acredita. Eu acredito e é o que importa. Eu estava pensando em mandar o livro, assim que terminasse, pra algumas pessoas, mas resolvi dias atrás que não vou mandar pra ninguém. E não há nada mais a falar sobre isso.
Há tempos venho ensaiando um texto pro blog, mas não consigo começar a escrever. Sinto que ficará reclamão demais. Quero que fique sincero e sem frescuras. Acho que por isso não consigo fazer. Não é pena que eu quero que sintam de mim, mas raiva. Quero que me culpem, já que é exatamente isso o que eu faço. Enfim... é capaz que nunca escreva. Se escrever, não vou dizer que “esse é aquele velho texto que eu disse vinte anos atrás”.
Quanto ao resto que me aflige, só a saudade me resta. Será que vai chegar um dia em que eu vou acordar e não mais sentir saudade? Há alguma explicação pra tudo o que está acontecendo? As boas lembranças se confundem com as ruins o tempo todo. Isso é que é uma merda. Se eu pudesse, apagava, tal qual no filme. Mas então me vem a cena em que ele sussurra:
- Deixe-me ficar com essa lembrança, Mierzwiak.
Acho que tenho aceitado tudo com maturidade. De forma honrosa, se é que isso existe. Como eu sempre tive que me conformar, isso passa. Sempre passa.
Apenas pra ter o que postar e dar boas vindas ao mês.
E tudo passa. Tudo passará.
Já já é natal. Espero ter boas notícias.

.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 14:43:28

12.06.09

Da data inventada.

Pois é. Mais um 12 de Junho.

Pra começar, uma frase do Joel Barish, personagem do Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças: o dia dos namorados é uma data inventada pelos fabricantes de cartões pra fazer as pessoas se sentirem miseráveis. 

É um bom filme. Na verdade, é um filme excelente. Um dos melhores que trata de relacionamentos. Entre eles está De Olhos Bem Fechados, do Kubrick, O Novo Mundo, do Malick, Amor à Flor da Pele e 2046 do Wong Kar Wai e Com Amor, Lisa, que eu não sei de quem é. Eu assisti o Brilho Eterno há algum tempo já, tenho aqui na minha coleção e de vez em quando assisto de novo. Simplesmente não me canso. Se puderem assistir, assistam. Parece difícil de entender, mas é bem facinho. Ele só não segue uma linha banal de desenvolvimento. Tudo se encaixa no final e nos passa uma lição fudidaça sobre o que é realmente importante.

Sabe o que é pior no dia dos namorados? É que tudo te faz se sentir um lixo. Você vê em todos os lugares, em todos os canais, em tudo quanto é buraco, as propagandas para casais apaixonados, dizendo assim: de um presente para alguém especial. Porra! Você olha e se pergunta: então eu não sou especial?

Hahuahuahuahauhauahua... não, Douglas, com certeza não. Enfim...

Sabe o que é realmente ruim no dias dos namorados? É que todo mundo fode, menos você.

Sabe o que é ruim no dia dos namorados? É que te dá uma inveja filha da puta de todo mundo que namora.

O dia dos namorados está pra mim assim como o Natal está pra criança pobre. Tá, essa foi pesada.

Foda-se.

Dia dos namorados pra mim é o mesmo que ir no shopping china sem dinheiro. O que te resta é admirar o carrinho dos outros. Tá, e essa foi tosca. Confesso.

Na verdade, sinceramente, dia dos namorados é uma coisa tão boa, mas tão boa, que, como sempre ocorre, nunca me deixaram participar. Bah, Douglas... essa foi totalmente sem graça. Tá, mas foi bonitinha... vão ficar com dó de mim... Não, Douglas... não vão sentir nada. Foda-se.

O Dia dos namorados é como almoço de domingo, nunca tem feijão.

Hahuahuahauhauahuahuahauahuahuahauha..... cala boooooca Douglas!

Sabe qual a coisa mais triste de se fazer no dia dos namorados? Entrar no bate papo e perguntar oi, quer tc?

Sabe o que é mais triste que isso? Fingir que a felicidade dos outros não te afeta. Porra, Douglas, era pra continuar a ser engraçado. E estava sendo? È... não, na verdade não.

Dia dos namorados serve pra que, afinal? Pros namorados celebrarem o namoro, oras! Grandes coisas! Celebro minha solteirice o ano todo... Uhuuulll!!!!...

Hahuahauhauhauahuahauhua... admitam... essa foi boa...

Não, Douglas. Tá.

Dia dos namorados é igual a laxante. Entra sólido e sai líquido.

Não entendi. O que entra?

Saiba que tem laxante líquido também... só pra dizer mesmo...

Tá. Essa eu vou copiar do orkut. O que você prefere? Dia dos namorados ou sexo? Eu prefiro sexo... dia dos namorados tem todo ano...

Dia dos namorados é igual truco. Só se aproveita se tiver parceiro. Hahuahuahauhauhauahuahauhau.... meu deus! Essa foi a pior!

Por que diabos tem que existir um dia dos namorados? Pra vender cartões, Douglas. Ah é.

É... acho que é isso.

Eu ia discorrer aqui um parágrafo sobre o que é namorar, e transcrever uma passagem que eu havia escrito pra parte do Marcelo no Lisura, mas que tive que apagar porque o conjunto todo tinha ficado uma merda. É sobre pessoas certas umas para as outras, mas acho que não cabe mais.

A quem namora, feliz dia dos namorados.

Hasta.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 00:37:27

08.06.09

Da ida a CG, parte três - A Re-volta da Acédia.

Eis que o Zé Galinha me liga no sábado à tarde, no intervalo do jogo do Brasil e me diz:
- Velhinho?
- Fala Zé...
- Sabe a ação lá?
- Sim?
- Larga mão... a mulher voltou aqui no escritório depois e disse que vai procurar a Defensoria. Já mandei ela tomar no cu e foda-se... vamos ganhar dinheiro com outra coisa.
Pra mim não foi fácil receber a notícia.

Já volto na continuação da frase. Primeiro, quero discorrer aqui sobre algumas coisas. Primeiramente, falar sobre a minha disposição quando criei o blog. Queria, como já disse aqui uma ou duas vezes, relatar o que se passa comigo e tirar de tudo isso uma lição que eu aprendi. Como se fosse um relato do meu aprendizado como pessoa e etc. Isso demonstra muita prepotência. =/...
O foda é que eu me acho mesmo. Tipo... durante toda a vida eu acreditei que as coisas que eu fazia eram melhores que a dos outros. Não eram. Eu também já cheguei à mesma conclusão aqui em outro post. O que é ainda mais foda é que eu detesto que me considerem prepotente. Evito ao máximo não ser, o que me leva a estar me depreciando o tempo todo. O tempo todo acreditando que o que eu faço não é bom, nunca é o suficiente. De que as minha conclusões são tão ruins, que não devem ser tidas como lição pra ninguém. Mas pensando bem, não foi pra isso que eu comecei a escrever no blog? Conseguem perceber o quanto eu acabo me contradizendo e sendo prepotente sem perceber? Parece que eu quero ser um sujeito tão mais vivido e experiente a ponto de poder dizer a vocês que isso é certo e isso é errado.
Enfim, não é isso o que eu quero. Ultimamente eu não tenho passado nenhuma lição que aprendi, apenas tenho relatado as situações que ocorrem comigo e que sempre tem algo de muito bizarro. Sei lá se vocês acham que muita coisa é mentira, mas acabam sendo os textos que todos, leia-se os poucos que lêem, gostam. Todas as vezes nas quais eu tento ser um pouco mais introspectivo e relatar uma situação com um pouco mais de descrição de como me senti e de como aquilo me afetou, acaba sendo algo vazio e sem graça. Esses são os piores. Então, a intenção primeira, a de passar exatamente isso, acaba sendo o ponto mais fraco e cansativo do blog. Parece que a cada post, é esperada outra situação engraçada, na qual eu me fudi e etc. Não, minha vida não é assim tão incrivelmente extraordinária.
E o que se tornou, então, o blog? Uma série de relatos sobre vergonha alheia? Não sei dizer, na verdade. Mesmo porque, continuo insistindo em fazer textos mais reflexivos, e por favor, não entendam isso como palavras prepotentes de alguém que se julga capaz de escrever textos reflexivos, mas entendam como palavras de alguém que tenta escrever o que sente em relação ao que vive. Mas qual a diferença? Pela enésima vez, a diferença é que eu não considero os meus textos reflexivos fodásticos, cuja capacidade seja de transformar a vida de quem lê ou levar alguém às lágrimas. Minhas reflexões são sempre melancólicas e cheias de falta de consciência. Por muitas vezes eu não enxergo a própria culpa. Prefiro jogar nos outros ou omiti-las.
Sinceramente, também não sei porque continuo fazendo isso. Se só duas ou três pessoas lêem e consideram o propósito do blog um exercício de prepotência que não passa de algo vazio e sem graça, qual é o motivo que te faz continuar com isso? Como já disse, não sei. Mesmo que ninguém lesse, eu continuaria. Com esperança de que lessem algum dia? Sim. Mas porque? Pra me sentir um pouco mais útil. Acho que é isso, afinal. Útil não no aspecto de ter uma importância social, mas de ter pessoas que te acompanham naquilo que você se predispôs a fazer e que esperam pelo novo.
No sábado à tarde, depois do meio dia, meu pai chegou com uns negócios que tinha comprado no shopping china. Ente eles, um medidor de pressão digital. Eu fui testar, porque estava preocupado com a minha, já que tenho comido azeitona pra caralho ultimamente e por ser salgada, eu estaria possivelmente com a pressão alta. É um aparelho que você põe no pulso, levanta até a altura do coração e aperta start. Depois de um tempo ele estufa, apertando teu pulso e apita, indicando os resultados. Pressão 12/8, com batimentos cardíacos em 82. Mediu o de todo mundo, inclusive o do meu irmão, que indicou 13/9. Meu pai olhou e disse:
- É compreensível... você vê o que o stress faz com a pressão... a sua está alta porque trabalha, atendendo o povo... o Douglas, por exemplo... a dele tá normal porque não faz nada!
Disse e todo mundo riu. Eu ri sem graça, mas pensei na ação de alimentos que eu tinha pra fazer e na minha primeira audiência que iria ter que enfrentar, daqui um mês mais ou menos.
Então, voltando à frase, no intervalo do jogo, o Zé me liga e me dá a notícia de que eu não tinha mais que fazê-la. Não recebi bem a notícia. Era o que eu tinha. Estava feliz porque era algo no qual estava me apoiando como um recomeço, uma mudança, um inicio de responsabilidade e fonte de dinheiro, meu dinheiro, que eu ganharia.
Semana passada, meus pais compraram um tapete bem bonito pra por na sala. Bem grande, deixando o ambiente todo bastante unido, dando um toque bem massa pro conjunto todo, bastante macio. Eu adorei o tapete. Sempre disse que eu teria um tapete na minha casa, que ficaria na sala e que eu cuidaria como um louco. A minha fantasiosa sala, com quadros e uma televisão gigante, sofás confortáveis, um bar gramde, onde ficaria o dia todo e o tapete. Enfim, eles compraram o tapete pra sala deles e eu passei a cuidar. Não deixei ninguém pisar nele com calçado. Quem chegava, eu mandava tirar o sapato. Me chamaram de chato, incomodativo, a minha irmã me mandou ficar quieto e não tirou, eu quis ficar puto, mas meus pais riram e disseram pra entrar, que eu é quem estava dando uma de bobo. Tá, concordo que eu estava sendo chato, mas eu tomei o fato de cuidar do tapete como algo que eu tinha que fazer, como uma obrigação, como uma tarefa. No sábado, já sem ânimo pra nada, depois de ter dado uma volta com o Marcel e o Nehme, voltei e fui assistir um filme. Peguei um copo de coca, deitei no sofá, dispus o copo no chão e fiquei assistindo. Lá pela metade do filme me deu vontade de fumar e eu fui. Fiquei fumando, pensando, bastante triste com tudo. Quando o cigarro acabou, o joguei e voltei. Não quis ligar a luz, então fui entrando lentamente, indo em direção ao sofá. Senti algo batendo no meu pé, o barulho do copo caindo no macio. Lembrei da coca. Lembrei do tapete. Liguei a luz rapidamente e vi que lá estava a poça, bem no meio do dito cujo. Me desesperei. Tirei a camiseta e fiquei tentando secar o excesso. Em vão. Fiquei incrivelmente puto comigo mesmo, me xingando em voz alta. Quando percebi que não tinha mais o que fazer, continuei vendo o filme. Sete Vidas, com o Wil Smith. Gostei bastante. Até recomendo. Mesmo.
No meio da semana passada, fiquei sabendo da história do menino, gaúcho, de 16 anos que havia, após incentivo de uma comunidade no orkut, se matado usando gás. Depois, o pai dele achou no computador um monte de músicas que ele havia composto, gravadas de modo quase profissional, com sobreposição de instrumentos, inclusive de voz, que por sinal, era bastante boa. Uma gravadora do Rio Grande do Sul resolveu lançar um CD com as músicas. Pegou trinta duas e lançou. Agora, um selo de uma grande gravadora de Nova York, resolveu lançar todas, mais de sessenta. Os críticos de lá dizem que o garoto é um achado, que tem extrema qualidade. A história dele mexeu bastante comigo, de um modo estranho. Lançariam o CD dele se ele não tivesse se matado? Ele teria feito tantas músicas se não sofresse pra caralho? Ele é realmente bom, e eu acho que seja, ou o fato de ele ter se matado faz com que exista uma aura de excentricidade e confusão que não permite que se veja além? Eu teria gostado das músicas ou, por inveja, o teria chamado de emo? Passei pensando sobre isso durante um par de dias. Hoje, eu já tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas não vou falar sobre isso aqui.
A semana toda não tinha sido boa, afinal. Estou em um ciclo irritante de tentativa de recomeços que não me fazem melhor, porque, por absoluta falta de vontade, nunca dão certo. A culpa disso não é de ninguém, vejam bem, é minha. Se hoje eu estou assim, é porque a culpa é minha. Ninguém pode me mudar por mim. Ninguém me deve nada a ponto de se sacrificar pra me ajudar. Nem quero que isso aconteça. Foi que, sábado, com uma melancolia filha da puta, após assistir ao filme, que tem um final que a mim fez todo o sentido, com o tapete manchado, sem nenhuma sustentação, sem ninguém, depois das três da manhã, vim aqui no computador e tinha cinco contatos online. Inclusive a Karla. Falei com todos, mesmo não falando com os outros quatro há anos, pra ver se me respondiam. Ninguém respondeu. Naquele horário, num sábado, ou já estavam dormindo, ou estavam festando, mas têm o hábito de deixar o computador ligado. Ninguém respondeu e me deu um desespero do inferno. Fui lá fora fumar. Estava tremendo, fumando compulsivamente, com a cabeça girando a mil... hoje, relatando aqui, sinto vergonha, mas senti vontade de morrer. Voltei e me tranquei no banheiro. Sentei no vaso e fiquei muito tempo pensando bobeiras, que não falo aqui por serem infantis demais. Sentia repulsa de me ver no espelho. Pensei em tanta coisa, que até me perdia. Tudo vinha de modo amplificado. Passei a sentir tudo com mais força. Fiquei triste pra caralho, sem poder falar com ninguém. Não foi algo que me deu vontade de chorar. Eu, sinceramente, não me considerei um coitadinho. Isso foi o mais estranho. Talvez pelo fato de ter sempre detestado parecer o coitadinho, acabei não me sentindo assim. Levantei, lavei o rosto e voltei a fumar. Era cinco e pouco da manhã, estava frio pra caralho. Quando voltei, deitei e dormi.
Acho que foi a única vez, dentre todas as outras lá em Dourados, que eu me senti triste a ponto de ter atitudes suicidas. Isso é tão nojento, tão repulsivo e infantil, que eu falo apenas pra chegar a ponto de dizer que já passou. Sei lá se me entendem, mas acredito que não falaria disso aqui se não tivesse superado. Sei lá... realmente, não sei.
O Domingo não foi muito melhor, mas eu estava mais tranqüilo. Ainda bastante triste e sem vontades, mas no nível normal de sempre. À noite fui na festa junina da Mappe ver o Nehme dançar quadrilha, conversei, ri, zuei, depois voltei pra casa. Entrei no MSN e não tinha nada. Ninguém havia respondido o que eu tinha dito na madrugada anterior. Sem me achar o coitadinho, eu ri e disse foda-se, escrevendo aqui no blog. A parte dois da ida a Campo Grande. Acho que a mais engraçada delas.
O que eu quero passar com esse post, é que eu passei por dias estranhos e deveras sinuosos. Mas to tranqüilo. Como sempre.
De resto, como sempre faço, ao próximo post. Devo escrever algo no dia dos namorados.

Ou não!

Hahuahuahauhauhauahua....
=D
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 19:10:03

Da ida a Campo Grande, parte dois - Missão Moscow.

Enfim, chegamos lá e tinha um povo de terno esperando. Fomos até o balcão e perguntamos com quem teríamos que falar pra fazermos a cerimônia. Nos encaminharam pra uma sala, onde teríamos que assinar as Certidões com os devidos números. O Alex, como ainda não tinha pego o Certificado de Aprovação na Ordem, teve que ir na sala ao lado pegar, e eu fiquei sozinho lá na outra, assinando. Eis que a Priscila, a moça que, muito pacientemente, me atendeu todos os dias pelo telefone, veio perto de mim e disse:
- Doutor, esse é o Juramento que vocês terão que fazer. Você vai ler em voz alta e todos vão repetir.
Sim. Sobrou pra mim ter que ler o juramento em voz alta. Isso pode parecer mentira, ou coisa do tipo, mas não é. Não podia ser diferente. Eu tinha que fazer o juramento, ler em voz alta, com todo mundo me olhando. Certo. Depois de o Alex assinar, voltamos ao hall e ficamos esperando. Tava demorando e nós fomos fumar. Ficamos lá fora, enfrentando um friozão desgraçado, de terninho, até que nos chamaram. Subimos as escadas e entramos na sala da Secretaria. Uma senhora veio nos atender, disse meia dúzia de palavras bonitinhas, um cara puxou o saco dela, e ela perguntou:
- Quem tá com o juramento?
- Eu...
- Pois vamos começar.
Comecei. Levantei a mão direita e disse a primeira frase em voz alta. E então o silêncio. Ninguém repetiu. Ficou todo mundo me olhando. Eu olhei de volta, todos parados, com a mão esticada. Tiver que fazer um movimento pra que eles repetissem... algo que levantando a mão esquerda, incentivando, aí eles se tocaram e repetiram. Certo. Não era um juramento pequeno. Tinha umas vinte frases e eu fui descendo uma por uma, pausadamente, e todo mundo repetindo. Eis que eu percebo que to com a mão levantada, tipo a de nazista falando Heil Hilter!, e penso será que minha mão tá certa? Eis que paro pra olhar como estava a mão de todo mundo, e não estava igual a minha. Eles não tinham levantado a palma, como se fossem soltar um kamehameha, mas sim com a palma pra baixo. Eu abaixei a minha, isso em fração de segundos, só o tempo de dar uma olhadela e voltar pro texto... e quando voltei, não sabia onde tinha parado. Fudeu, pensei. Procura, Douglas, procura, Douglas... onde?, onde? Hahuahauhauahuahauhau.... uns cinco segundos depois, ainda bem, encontrei e continuei o juramento até o fim.
Pensa na alegria do preto quando saiu da OAB com o certificado e o número na mão? =D... mais feliz que pinto no lixo! Hahuahauhauahuahua... mais faceiro que guri de tênis novo! De lá, fomos ao shopping, todo mundo junto, inclusive o Fumaça Transamen. Passeamos lá, fomos na C&A e comprei uma camiseta listrada cinza muito massa por vintão e quis comprar um óculos escuros que caiu em mim como uma luva. Sinceramente, foi a primeira vez que eu olhei no espelho e me disse: Cara, você não ficou nada mal... hauhauahuahuahauahua... na boa, eu fiquei bem com aquele óculos... parecendo o Black Kamen Rider, mas com panca... enfim... quase levei... só não levei porque o Outro Eu me interrompeu e me lembrou que eu uso óculos de grau e que acabaria não usando nunca o escuro e que gastaria dinheiro a toa. Portanto, crianças (SIC²), aproveitem enquanto a vista de vocês é boa e usem os óculos escuros que puderem... =/
O Alex continuou comprando roupa, o Transamen ficou vendo uma sessão de roupa pra mano e eu fui lá fora fumar. A C&A fica bem de frente ao centro do shopping, onde tem uma fonte e eu sentei num banquinho ali e fiquei. Pensa na cena triste... eu fumando, com medo de que não pudesse fumar ali, olhando as pessoas passando feliz de mãos dadas, vendo as promoções do dia dos namorados, com uma música ambiente deveras filha da puta, All You Need is Love do Beatles, bem no finalzinho, quando o Paul começa a cantar ao fundo She love’s you yeah, yeah, yeah... foi foda. Foi algo que me fez voltar um pouco à acédia. E sobre isso, falarei no post seguinte, prometo!
Almoçamos em uma churrascaria indicada pelo Fumaça, depois visitamos os parentes da sogra do Alex, um por um! ¬¬ e finalmente, viemos embora. Cheguei em Dourados beirando as sete da noite. Comprei uma caixinha de skol e bebi o que agüentei, sozinho, comemorando. Não é todo dia que se tem algo pra comemorar. Ninguém tinha querido beber comigo o dia todo, então fiquei puto e decidi comemorar sozinho. Fui dormir. No outro dia continuei a comemoração e, após almoçar, fui no Zé Galinha.
O Alex, na viagem, me deu a idéia de ir procurar o Zé pra ver se ele tinha alguma ação pra me passar, porque ele tá sempre tendo ações, mas vive passando pra outros advogados assinarem, o que faz com que ele receba uma quantia. Certo. Fui lá e ele tinha! Hahuahauhauhauahua... minha primeira ação! De Pensão Alimentícia! Putz, eu quase não me coube de faceiro. Marcamos pra que eu levasse ela pronta na terça feira, protocolando no Fórum e recebendo... Pausa para reflexão... entendam (SIC) o peso da palavra no meu contexto... RECEBENDO... dinheiro, grana, cash, bufunfa, pila, mirréis, moeda, dólar... eu, o preto puto, RECEBENDO... quando na vida de vocês (SIC) um dia imaginaram que eu trabalharia e receberia? Baaarbaridade... é demais isso... acho que alguém vai ter um ataque do coração... ou vai ter ataque de riso... ... hauhauahuahauhauahu.... quando eu imaginei que receberia? Oo... hauhauahuahauhauahuahua.... para de ser otário, Douglas! Dããããã... parei, parei... voltando.... recebendo já a quantia que havia estabelecido com a cliente. Tudo estava certo. Quase saí voando do escritório do Zé... Voltei pra Karla, a Salmória tava lá, ficamos zuando até ela ir embora, depois fiquei zuando até eu ir embora e cheguei, de volta, na Quinta Ferira de madrugada. Tudo estava planejado. Fazer a ação no final de semana, totalmente caprichada, e voltar a Dourados.
Eeeeiiisss que...

- continua –

(hauhauahuahauhau... ai ai... me divirto...)
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  • Postado em 01:37:27