26.08.08
Das coisas que não se vê diariamente II.
Minha semana tá foda. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo desde sexta feira que me sinto totalmente esgotado. Cansado mentalmente. Por mais que eu durma 7, 8 horas, parece não ser suficiente pra que eu me sinta novo, firme, disposto.
Estou tendo aulas preparatórias pra OAB, no curso LFG, aos sábados e em alguns domingos, das 07:00h às 13:00h. As aulas são muito boas, mas em decorrência do horário e do dia, acabam que por ser muito cansativas, difíceis de acompanhar em sua totalidade. É preciso ter muita força de vontade, o que, neste final de semana, me faltou. No sábado para domingo o Cabeça e o Nilton quiseram assistir o jogo de vôlei do Brasil contra os EUA na final olímpica. Ocorre que eles haviam dormido à tarde e eu não. Quando foi duas horas da manhã, resolveram dormir, e como onde eu durmo lá é o mesmo local onde fica a sala, tive que ficar zumbiando até eles irem. Acordei 6:40. Meu cérebro não assimilava muita coisa. Eu ia escrever o que os professores ditavam, demorava para assimilar e quando assimilava, escrevia errado, o que me fazia apagar na hora e quando dava por mim, havia perdido o ditado.
Ainda, me sinto decepcionado comigo mesmo. Não em um sentido de “caramba, não consegui”, mas mais num sentido de “cara, na real, você é feio”... se é que me entendem, porque, tipo... a menina do “nevralgia do trigêmeo” sequer me cumprimenta mais. Ontem ela passou perto de mim, eu estava sentado num banco branco da Unigran no intervalo do estudo, eu e o Cabeça, e ela passou rente, quase pisando no meu pé, e eu sei que ela me viu, pois eu a percebi de longe, e na metade do caminho ela me olhou e desviou o olho logo em seguida. Passou quase pisando no meu pé e foi embora. Nem um oi. Nem um... oi, gostoso!.. hauhauhauahua.. zuei... nada, nada, nada. Apenas passou.
Da primeira coisa que eu não vejo diariamente, está o pé da Gardênia. O pé dela é muito foda, com os dedos fazendo aquela curvinha natural conforme acabam, do dedinho ao dedão, perfeitos. Uns pés um pouco gordinhos, bem brancos, brancos mesmo, e pequenos, no máximo 38. Adoro pés de mulher. Da sempre a impressão de que são cheirosos. Mas convenhamos que algumas mulheres têm uns pés muito feios. Não que eu não goste, mas... sei lá... perco a admiração pelos pés se eles são feios. Todo mundo perde a admiração por aquilo que é feio. A Josy tem um pé bem bonito, também. A Marcella não. O pé dela é alienígena. È de Marte. Os dedinhos dela são tortos... credo. Voltando ao raciocínio. Eu vi o pé da Gardênia e fiquei olhando pra ele um bom tempo. Nesse instante eu comecei a pensar algo do tipo “cara, eu idolatro demais essa guria. Ela nem é tudo isso. È sim. Não é... tipo... sei lá... acho que não deveria ficar nessa estiga por uma guria que tem noivo. Foda-se ela. Mas que tem um pé bonito, isso tem...”.. hauhauahuahua... não que tenha sido exatamente isso, mas quase. Pensei nisso e dali um pouco ela passou por mim. E não me cumprimentou. Voltou e não me cumprimentou. No sábado ela passou e repassou, e não me cumprimentou. No Domingo, eu já puto comigo mesmo por estar mendigando, de novo, fiquei quieto e de longe a vi saindo da aula, às 13:00. Ela me olhou e nesse momento a cumprimentei com a cabeça. Ela retribuiu por educação e foi embora.
Caralho, pensei eu. O que diabos você está fazendo com você mesmo? Sabe, eu confesso que eu estava arquitetando um plano pra poder dar algo a ela. Uma palheta rosa da Dunlop que o Nehme me deu. A palheta que eu mais gosto e que eu já dei a duas meninas. Uma pra Jéssica e outra pra Evelin. São pessoas especiais. E eu gostaria muito de dar uma pra Gardênia. E vocês podem me perguntar por quê? E eu digo que eu sou esquecível. Deveras esquecível. Preciso sempre estar fazendo com que as pessoas se lembrem de mim de alguma forma. Preciso estar mandando mensagem, dando toques, dando um oi no msn e essas coisas todas. Sou esquecível, mas por toda a admiração pela beleza que eu percebi na Gardênia, gostaria que ela se lembrasse de mim daqui um tempo. Olhasse praquela palheta que ela jogou atrás do armário por pura displicência em um dia em que fosse preciso mexer ali e lembrasse de mim. Eu tenho essa necessidade mórbida de ser lembrado, de ser querido pelas pessoas. Isso é carência. Enfim... não é sobre isso que quero falar.
E ali estava eu na segunda feira à tarde, depois da “nevralgia” não ter me cumprimentado, pensando que na verdade ela não tem obrigação nenhum em fazê-lo. Eu não represento nada pra ela, assim como não represento nada pra Gardênia, assim como não represento nada a nenhuma mulher. Beleza. Ponto.
Apesar de chegar a essa conclusão que a princípio é libertadora, não melhorei de todo. Ainda com acédia, ainda cansado e etc.
Como está tendo semana jurídica na Unigran, não teve aula e eu fiquei conversando lá com o pessoal. Na volta, eu no busão, com minhas pequenas (mentira) malinhas, sossegadão, tranqüilo, já na estrada que leva pra vila acadêmica, vejo que paramos. Dez minutos depois entra um cara dizendo:
- o busão estragou.
- esse busão?
- não, o branco.
Começamos a andar de novo. Uns trezentos metros depois, paramos novamente. Mais dez minutos e andando. Mais trezentos metros e parando. Olhei pra minha esquerda, através da janela do outro lado, vi a pista do aeroporto. Pela perspectiva que tive, estávamos parados bem no meio dela. Na hora já me veio à cabeça uma imagem de um avião pousando, descontrolado, e batendo na gente. Eu, muito Macgyver, já analisei uma janela do meu lado na qual eu pudesse pular caso isso ocorresse, já calculando mais ou menos onde cair pra poder sair correndo o máximo que pudesse. Parados ali na estrada me deu vontade de fumar e eu abri a janela completamente, pus o tronco pra fora e ali fiquei, tragado, soltando a fumaça, vendo o povo lá na frente tentando, em vão, arrumar o ônibus branco. Então olho pra pista do aeroporto e vejo um avião indo decolar. Seguiu, primeiramente, em uma linha paralela à nossa, lá na frente, depois foi subindo perpendicularmente na direção contrária. Foi indo e todos nós esperando que levantasse vôo. Não levantou. Lá na frente ele fez a volta e começou a vir em nossa direção. Pensei puta merda! Vai bater na gente! Olhei pra janela, olhei pro chão lá embaixo, olhei pro avião se aproximando cada vez mais, olhei pro meu cigarro, dei mais uma tragada, olhei pro avião e fixei o olho nele. Então ele decolou e veio na direção do ônibus. Eu, como já estava pra fora da janela, olhei pra cima e o vi passar, de perto, grande, bonito, fodão, com o barulho das turbinas, muito perto da gente, em cima. Fiquei bobo. O acompanhei indo reto até sumir. Abri um sorrisão de contemplação, sentei na minha poltrona, a abaixei e ali fiquei, embasbacado e puto com essa minha condição.

-
criado por douglasmangini
12:21:13