<  Agosto 2008  >
S T Q Q S S D
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 31
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2008

31.08.08

Da despedida.

Amanha, segunda feira, 01 de setembro, vou passar a morar em Dourados novamente. Vou morar com o Alex e o sobrinho dele, Rodrigo, numa quitnet de um quarto, sala, cozinha e banheiro. Vou dormir na sala, num colchão. Ainda, duas, ou três, vezes por semana, o N. vai dormir lá, na sala também. Vai ser difícil. Complicado. Eu digo isso, porque me conheço. Sei que sou insuportavelmente ranzinza e cheio de manias. Vou fazer esse sacrifício por mim mesmo, pra estudar todas as tardes na Unigran das 13:30 às 17:30. Pelo menos é esse o horário que vou tentar seguir. Vai ser difícil? Com certeza que sim, mas pelo menos lá, por estar perto da Unigran, vou fazer o máximo pra ir todos os dias. Lá eu não tenho internet nem televisão pra me tirar do foco. Lá eu chego e estudo, com um intervalo pra poder dar uma descansada. E só. É pra estudar que eu vou. Preciso passar na OAB pra começar a ganhar um dinheiro. Não agüento mais não ter dinheiro. São muitas as coisas que eu não agüento mais. Não agüento mais ser feio, não agüento mais mendigar, não agüento mais não ter ninguém, não agüento mais a faculdade, não agüento mais ficar sozinho. E eu poderia continuar isso ainda, mas ia ficar chato.
Eu sempre disse que as pessoas só gostam de mim depois de um tempo. Esses dias eu disse isso pra Karla e ela me disse:
- É que você, a princípio, parece ser chato.
- É, no princípio eu pareço, depois as pessoas têm certeza, e enjoam.
- É..., disse ela, rindo.
Não há nada que possam me dizer que vá me fazer mudar de opinião a respeito disso. As pessoas só gostam de mim depois de um tempo. Depois que gostam, acabam enjoando.
Desde Abril eu vou e volto de ônibus, todos os dias. Lá dentro eu conheci boas pessoas, humildes, que se esforçam muito pra irem pra faculdade. Já escrevi sobre eles aqui diversas vezes, e sobre alguns fatos que aconteceram lá. No começo, entrava quieto e saía calado, apenas dando oi a quem me olhasse. Me apelidaram de Dalai, e aos poucos fui me enturmando. Conversando, jogando truco, rindo, zuando, sendo esse sujeito bobo que sou com todo mundo.
Há umas duas semanas atrás, eu levei meu violão pra lá, pra deixar na casa onde vou morar. O povo do busão se reuniu e pediu que eu tocasse. Toquei o que sabia, todos cantaram algumas músicas, outras ninguém conhecia, outras ninguém gostava, e a maioria dos pedidos que me fizeram, eu tive que dizer:
- Essa eu não sei.
Pareceu que todos gostaram mais de mim pelo fato de eu tocar violão. E foi exatamente isso, creio eu. É como se eu tivesse deixado aquele lado chato que a Karla disse de lado e finalmente ganhado a confiança deles. Passaram a gostar de mim só depois de alguns meses, como é natural. No meio da semana passada, comuniquei a eles que ia parar de ir no busão, que ia passar a morar em Dourados. A Camila, e eu já falei dela no Da monografia, da cachaçada e da mimosidade, fez uma cara de lamento e disse:
- Poxa, Dalai, agora que você ficou legal, você tá indo embora?
Eu ri por ter a confirmação do que sempre disse. “Agora que você ficou legal”, disse ela. Eu não era, pra eles, legal antes. Apenas um negro que ia sempre com o mesmo casaco de toca preto, usando óculos sempre, de cabelo rapado. Mas agora que eu fiquei legal, tive que ir embora. Acho que é o momento certo de sair, já que eles enjoariam dali um tempo. É sempre nessa ordem. Ainda não tenho, creio eu, um fato que comprove que eu me torno enjoativo depois, mas quando tiver eu conto.
Por ter que ir a Dourados, vou ficar um tempo sem postar aqui. Nos finais de semana em que vir pra casa, é provável que eu não poste por estar deveras cansado. Vou aproveitar o tempo pra dormir na minha cama. Vou fazer o possível para postar, nem que seja algo pequeno, não que vocês, dois ou três, leitores sentirão falta. Tenho certeza que não, mas mais pra poder manter essa idéia que tive em Janeiro, a de contar o que se passa comigo e como essas situações mudam, ou não, a minha maneira de pensar. Deste modo, agradeço a presença e a paciência por terem lido. Ainda, agradeço imensamente todos os comentários por dia. Foi difícil conseguir ler todos, visto serem muitos, mas consegui. =)

ps. O livro tá pronto. Chama-se “Lisura”.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 15:03:37

26.08.08

Das coisas que não se vê diariamente II.

Minha semana tá foda. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo desde sexta feira que me sinto totalmente esgotado. Cansado mentalmente. Por mais que eu durma 7, 8 horas, parece não ser suficiente pra que eu me sinta novo, firme, disposto.
Estou tendo aulas preparatórias pra OAB, no curso LFG, aos sábados e em alguns domingos, das 07:00h às 13:00h. As aulas são muito boas, mas em decorrência do horário e do dia, acabam que por ser muito cansativas, difíceis de acompanhar em sua totalidade. É preciso ter muita força de vontade, o que, neste final de semana, me faltou. No sábado para domingo o Cabeça e o Nilton quiseram assistir o jogo de vôlei do Brasil contra os EUA na final olímpica. Ocorre que eles haviam dormido à tarde e eu não. Quando foi duas horas da manhã, resolveram dormir, e como onde eu durmo lá é o mesmo local onde fica a sala, tive que ficar zumbiando até eles irem. Acordei 6:40. Meu cérebro não assimilava muita coisa. Eu ia escrever o que os professores ditavam, demorava para assimilar e quando assimilava, escrevia errado, o que me fazia apagar na hora e quando dava por mim, havia perdido o ditado.
Ainda, me sinto decepcionado comigo mesmo. Não em um sentido de “caramba, não consegui”, mas mais num sentido de “cara, na real, você é feio”... se é que me entendem, porque, tipo... a menina do “nevralgia do trigêmeo” sequer me cumprimenta mais. Ontem ela passou perto de mim, eu estava sentado num banco branco da Unigran no intervalo do estudo, eu e o Cabeça, e ela passou rente, quase pisando no meu pé, e eu sei que ela me viu, pois eu a percebi de longe, e na metade do caminho ela me olhou e desviou o olho logo em seguida. Passou quase pisando no meu pé e foi embora. Nem um oi. Nem um... oi, gostoso!.. hauhauhauahua.. zuei... nada, nada, nada. Apenas passou.
Da primeira coisa que eu não vejo diariamente, está o pé da Gardênia. O pé dela é muito foda, com os dedos fazendo aquela curvinha natural conforme acabam, do dedinho ao dedão, perfeitos. Uns pés um pouco gordinhos, bem brancos, brancos mesmo, e pequenos, no máximo 38. Adoro pés de mulher. Da sempre a impressão de que são cheirosos. Mas convenhamos que algumas mulheres têm uns pés muito feios. Não que eu não goste, mas... sei lá... perco a admiração pelos pés se eles são feios. Todo mundo perde a admiração por aquilo que é feio. A Josy tem um pé bem bonito, também. A Marcella não. O pé dela é alienígena. È de Marte. Os dedinhos dela são tortos... credo. Voltando ao raciocínio. Eu vi o pé da Gardênia e fiquei olhando pra ele um bom tempo. Nesse instante eu comecei a pensar algo do tipo “cara, eu idolatro demais essa guria. Ela nem é tudo isso. È sim. Não é... tipo... sei lá... acho que não deveria ficar nessa estiga por uma guria que tem noivo. Foda-se ela. Mas que tem um pé bonito, isso tem...”.. hauhauahuahua... não que tenha sido exatamente isso, mas quase. Pensei nisso e dali um pouco ela passou por mim. E não me cumprimentou. Voltou e não me cumprimentou. No sábado ela passou e repassou, e não me cumprimentou. No Domingo, eu já puto comigo mesmo por estar mendigando, de novo, fiquei quieto e de longe a vi saindo da aula, às 13:00. Ela me olhou e nesse momento a cumprimentei com a cabeça. Ela retribuiu por educação e foi embora.
Caralho, pensei eu. O que diabos você está fazendo com você mesmo? Sabe, eu confesso que eu estava arquitetando um plano pra poder dar algo a ela. Uma palheta rosa da Dunlop que o Nehme me deu. A palheta que eu mais gosto e que eu já dei a duas meninas. Uma pra Jéssica e outra pra Evelin. São pessoas especiais. E eu gostaria muito de dar uma pra Gardênia. E vocês podem me perguntar por quê? E eu digo que eu sou esquecível. Deveras esquecível. Preciso sempre estar fazendo com que as pessoas se lembrem de mim de alguma forma. Preciso estar mandando mensagem, dando toques, dando um oi no msn e essas coisas todas. Sou esquecível, mas por toda a admiração pela beleza que eu percebi na Gardênia, gostaria que ela se lembrasse de mim daqui um tempo. Olhasse praquela palheta que ela jogou atrás do armário por pura displicência em um dia em que fosse preciso mexer ali e lembrasse de mim. Eu tenho essa necessidade mórbida de ser lembrado, de ser querido pelas pessoas. Isso é carência. Enfim... não é sobre isso que quero falar.
E ali estava eu na segunda feira à tarde, depois da “nevralgia” não ter me cumprimentado, pensando que na verdade ela não tem obrigação nenhum em fazê-lo. Eu não represento nada pra ela, assim como não represento nada pra Gardênia, assim como não represento nada a nenhuma mulher. Beleza. Ponto.
Apesar de chegar a essa conclusão que a princípio é libertadora, não melhorei de todo. Ainda com acédia, ainda cansado e etc.
Como está tendo semana jurídica na Unigran, não teve aula e eu fiquei conversando lá com o pessoal. Na volta, eu no busão, com minhas pequenas (mentira) malinhas, sossegadão, tranqüilo, já na estrada que leva pra vila acadêmica, vejo que paramos. Dez minutos depois entra um cara dizendo:
- o busão estragou.
- esse busão?
- não, o branco.
Começamos a andar de novo. Uns trezentos metros depois, paramos novamente. Mais dez minutos e andando. Mais trezentos metros e parando. Olhei pra minha esquerda, através da janela do outro lado, vi a pista do aeroporto. Pela perspectiva que tive, estávamos parados bem no meio dela. Na hora já me veio à cabeça uma imagem de um avião pousando, descontrolado, e batendo na gente. Eu, muito Macgyver, já analisei uma janela do meu lado na qual eu pudesse pular caso isso ocorresse, já calculando mais ou menos onde cair pra poder sair correndo o máximo que pudesse. Parados ali na estrada me deu vontade de fumar e eu abri a janela completamente, pus o tronco pra fora e ali fiquei, tragado, soltando a fumaça, vendo o povo lá na frente tentando, em vão, arrumar o ônibus branco. Então olho pra pista do aeroporto e vejo um avião indo decolar. Seguiu, primeiramente, em uma linha paralela à nossa, lá na frente, depois foi subindo perpendicularmente na direção contrária. Foi indo e todos nós esperando que levantasse vôo. Não levantou. Lá na frente ele fez a volta e começou a vir em nossa direção. Pensei puta merda! Vai bater na gente! Olhei pra janela, olhei pro chão lá embaixo, olhei pro avião se aproximando cada vez mais, olhei pro meu cigarro, dei mais uma tragada, olhei pro avião e fixei o olho nele. Então ele decolou e veio na direção do ônibus. Eu, como já estava pra fora da janela, olhei pra cima e o vi passar, de perto, grande, bonito, fodão, com o barulho das turbinas, muito perto da gente, em cima. Fiquei bobo. O acompanhei indo reto até sumir. Abri um sorrisão de contemplação, sentei na minha poltrona, a abaixei e ali fiquei, embasbacado e puto com essa minha condição.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 12:21:13

08.08.08

Da felicidade alheia.

O pessoal da Estadual, UEMS, voltou a ir no ônibus apenas essa semana. Estavam de férias ainda. Quando entraram, vi que o Marlon e a namorada dele que eu sempre me esqueço o nome não se sentaram juntos. E semestre passado, desde que eu passei a ir com todos eles, os dois se mimavam numa mesma poltrona. Eu já havia falado deles no “Da monografia, da cachaçada e da mimosidade”. Mas na segunda feira, estavam separados, quietos, meio que agindo com cuidado, sem graça com a presença do outro. Na volta, a mesma coisa. Ela sentada junto com outra menina e ele sozinho na poltrona de trás. Ao chegar em Ponta Porã, na baldeação na entrada da cidade, vi que eles não se despediram. Ela se levantou e foi, enquanto ele permaneceu olhando a janela. Eu estranhei. Nessa baldeação, como eu tenho que ir pro centro, eu tenho que mudar de ônibus e, de vez em quando, dou a sorte de entrar e encontrar lugar logo nas primeiras poltronas. Nesse dia, consegui a primeira, do lado da janela. Ainda, as vezes consigo lugar na cabine, por achar melhor e não correr o risco de ir de pé, e ainda, vou conversando com o seu Asturio, o motorista, um paraguaio muito engraçado. Chegando perto da Cordil, como eu já estava lá na frente, vejo que o Marlon estava de pé do meu lado.
- Eaí, Dalai, disse ele.
- Fala, Marlon... beleza?
Ele balançou a cabeça.
- Como é que tá a facul?, perguntei.
- Tá foda...
Fiquei quieto um tempo e perguntei:
- E o namoro?
- Vai mal, respondeu.
Entrou na cabine e fechou a porta.
Na terça feira, esperando ali no Dogão, vejo que os dois não se falaram também. Como estava chovendo, vi que ele lha pôs o boné pra não molhar o cabelo. Entraram e se sentaram em poltronas separadas. Assim também foi na volta. Na quarta, eu, como iria dormir em Dourados pra poder ver um Júri na quinta à tarde, apenas fui, não voltei, o que é óbvio, mas na ida, percebi que eles foram juntos, escutando música num MP-alguma-coisa laranjado que ele havia comprado. Como eu sei que ele havia comprado? Ele disse pra uma menina:
- Olha o que eu comprei!
- Que liiindo, disse ela.
E eles foram juntos, escutando música.
Voltando pra Ponta Porã ontem à noite, na quinta, como eu estava só o pó da gaita, só o elástico da zorba, só o chassi e o câmbio, só o arame do pão pullman, assim que sentei na poltrona, dormi. Esqueci de cuidar os dois. Um pouco antes do ponto da baldeação, a luz acendeu. Acordei, não conseguindo, a princípio, abrir o olho. Então fixei uma imagem, e, aos poucos, consegui enxergar todo mundo se mexendo. E, lá na frente, nas poltronas da direita, vejo os dois dormindo juntos. Ela acordou, foi levantando devagar, fazendo esforço pra abrir os olhos. Virou pra ele. Ficaram se olhando uns segundos. Lhe deu um beijo, levantou, pegou as coisas e saiu.
Fiquei feliz. Abri um sorriso e me senti bem. Eles formam um casal bonito, combinam um com o outro, são jovens, parecem que dão valor a certas coisas, como ter alguém. Isso eu digo apenas trabalhando com possibilidade. Pode ser que sim, pode ser que não, já que eu não os conheço além de um oi, aos dois, quando os vejo na ida e um tchau quando saem do busão. Mas ali estavam juntos de novo, se olhando mutuamente com um quê de ternura e afeto que a gente vê em pessoas que se gostam bastante. Só pelo fato de se gostarem bastante, e por estarem juntos, já me fez feliz. È como se a felicidade deles me fizesse bem. Foda é eu precisar da felicidade dos outros pra me sentir assim, mas se tiver que ser assim pra sempre vai ser, não me importo.
Aos vê-los separados, me senti mal, preocupado, interessado em fazer com que os dois voltassem um pro outro. Cheguei até a pensar em tentar conversar com o Marlon e saber o motivo daquele possível término e, talvez, aconselha-lo em alguma coisa. Não foi preciso. Ainda, mesmo que tivesse que ser preciso, tenho certeza de que eu não ajudaria em nada. Me falta experiência em relacionamentos. Me falta ciência de causa. De todas as vezes que eu aconselhei alguém nesse aspecto, o fiz usando os sentimentos mais infantis, mais bobinhos, sem qualquer prática para contrariar a teoria.
Por fim, ao vê-los separados e voltando a estar juntos, senti algo bastante idiota, romântico demais, meloso demais, pífio demais, demasiadamente infantil: pessoas que se gostam não podem ficar longe uma da outra. Pessoas que se gostam, quando juntas, tem que permanecer juntas. Simplesmente por ser algo bonito. Algo que faz a alegria de quem está perto. É bom ver duas pessoas que se gostam juntas, abraçadas, se mimando. Não cabe a ninguém interferir nisso, nessa relação. Não cabe a ninguém atrapalhar. Que todos os casais que se gostem continuem juntos. Ficarei feliz com a felicidade alheia.

ps. Não me tenham como curioso, ou como alguém que fica espionando a vida dos outros. Ali estava eu no busão, lendo Sidarta, e não pude deixar de notá-los. E, em nenhum momento, quis mal aos dois. =)
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 15:49:04