22.10.08
Das fotos, da atolada e da quebra.
Fui a Dourados quinta feira passada, dia 16, de terno. Fui pra tirar as fotos para a formatura. Como estamos no último semestre, mais especificamente, no último mês de aula, visto que as provas começam dia 03 de novembro, não sinto mais qualquer vontade de ir à faculdade. Já apresentei a monografia. Já fechei as horas no núcleo, tendo apenas que fazer a prova do estágio na sexta feira, dia 24, à tarde. Já fechei as audiências, fiz e imprimi os relatórios, os encadernei e entreguei à “Dr.ª” Ana, que é orientadora também lá no núcleo, mas à tarde. Já apresentei os comprovantes de horas extracurriculares, duzentas no total. “Só” falta fechar as notas. Assim, a vontade de ir é nula, quase negativa.
Então aqui estava eu, em casa, matando as aulas, quando me avisam que eu não poderia faltar na quinta feira.
- Por que não?
- A gente vai tirar foto pra formatura.
- Tem que ir de terno?
- É!, e tem ir de camiseta branca e gravata vermelha.
- Não tenho gravata vermelha.
- Te vira.
Me virei. Liguei pra minha irmã e perguntei se o Ademir, meu cunhado, tinha gravata vermelha. Ele tinha. Pedi que ela me trouxesse quando pudesse, antes de quinta feira, antes das cinco da tarde. Ela trouxe na quinta de meio dia e qual a minha surpresa quando vi a gravata não tão vermelha assim. Quase rosa. Pensei comigo foda-se, vou assim mesmo. Beleza. Tomei banho, coloquei a roupa, não necessariamente nessa ordem, ... tá, essa foi tosca..., e fui esperar o ônibus. Em decorrência da maioria dos alunos da Unigran terem feito ponte a semana toda, foi um ônibus só. Foi o cinza, e não o branco. Entrei no ônibus, sentei no lugar cativo, e ali fiquei tranqüilo até a saída da cidade, quando já estavam todos os que iam, oportunidade em que me chamaram pra jogar truco. Fui, joguei, dei risada. Chegando em Dourados, o Rosiel, motorista, entrou pela estrada de chão, como sempre, pra deixar primeiramente o povo da federal e da estadual. Ocorre que a patrola passou pela estrada de chão com o intuito de nivela-la, e logo após choveu, e logo após, o Rosiel entrou lá com um ônibus lotado de gente. Ou seja, cerveja. O ônibus começou a dançar na lama, pra lá e pra cá com a traseira, até que parou, atolado. Parou e ali ficou. Eu, com uma carta na mão, olhei pra frente e pensei fudeu.
- Carona e calouro vão ter que empurrar!, gritou um lá da frente.
- O Dalai tá de terninho!, disse outro.
- Se fudeu, Dalai! Vai ter eu empurrar!
Riram todos.
Me levantei, coloquei a mão na cintura, ri um pouco e fiquei na minha. Fui até a cabine e vi a luz do farol iluminando a lama. O M., namorado da D., resolveu descer pra ver se era possível caminhar por ali, já que as luzes da federal e da estadual já poiam ser vistas, estavam ali, perto. Ele desceu e afundou o pé na lama quase na altura do calcanhar.
Uns vinte minutos depois passou uma saveiro prata. Eu, já sentado, vi um entrar no corredor e gritar:
- O povo da federal ou da UEMS que tiver prova ou trabalho, vamo embora na saveiro!
Levantou uns quinze. Saíram correndo, com as respectivas bolsas. Eu tirei a cabeça pra fora e vi a cena. Em segundos, formou aquele buquê de gente na caçamba da saveiro que foi sair, já forçando o motor, dançando pelo barro, indo devagar. Sumiu no escuro.
Meia hora depois surgiu um trator do além. Nos puxou com um cabo de aço e lá fomos nós. Cheguei na Unigran oito horas, atrasado, o último a tirar as fotos individuais. Depois nos reunimos na escada que dá pro segundo bloco e lá tiramos várias fotos. Assim, não que isso seja bom. Foram várias fotos. Várias. Fotos com todo mundo sério.
- Ai, pisquei, dizia um lá do fundo.
- Vai de novo, dizia o fotógrafo.
Tirava.
- Putz, pisquei, gritava outro lá do canto.
- Vai de novo.
Após uma leva de fotos sérias, várias outras fotos com todo mundo sorrindo.
Dez da noite, acabou as fotos. Subi no ônibus, que ia primeiramente pegar o povo da federal e estadual, pra depois voltar à Unigran, e sair pela cidade, não mais passando pelo barro, já que seria burrice. Na ida à cidade universitária, o busçao começou a estralar.
- Que isso?, perguntei.
- Acho que quebrou o satélite, disse ele.
Pensei: heim?
Fomos lá, pegamos o povo, voltamos na Unigran, pegamos mais uma leva e fomos pelo centro da cidade. Em uma curva, em frente ao hospital Santa Rita, no meio de seis vias, e não podia ser diferente, o ônibus estralou muito forte, várias vezes e parou. Quebrou. Como parou no meio das vias, tínhamos que empurrar e dessa vez não escapei. Tirei o paletó e desci pra empurrar. Isso pode parecer a coisa mais óbvia do mundo, mas... como aquela porra pesa!
Ligaram pro motorista aqui em Ponta Porã, pra que ele viesse. Foi chegar em Dourados 01:30 da manhã. Saímos de lá no ônibus branco, já que o cinza ficou quebrado, e chegamos em casa 03:30.
Legal, né?
Não... na verdade, não.

-
criado por douglasmangini
01:49:24