22.01.09
Da reprovada.
Fiz a prova da OAB domingo agora, dia 18. Depois de toda a peripécia que foi pra que eu conseguisse me inscrever, toda a correria, as dias a toa a Dourados, toda a encheção de saco, o gasto com dinheiro, requerimentos, atendentes cuzões, pessoas que não estavam nem aí pra você, depois de ter estudado, e de não ter conseguido estudar por causa dos pais, das visitas e da empregada que ficava cantarolando alto as músicas que ela ouvia no rádio lá no fundo, eu fui lá fazer a prova.
Eu já tinha feito, durante os estudos, quatro provas da OAB, como teste. Duas de São Paulo, uma de Minas, e uma da Cespe Nacional, que é a que o restante do País faz. Dessas, havia passado em 3. Só não havia conseguido a pontuação necessária na de Minas, isso porque eles cobram dez questões de direito Internacional, que eu não sei nada e mais dez de direito comercial, que é difícil pra caralho. Portanto, de acordo com a média, eu estava tranqüilo, um tanto quanto confiante, sabendo que eu tinha estudado pouco, apenas pra 5 matérias e que assim, eu estava ali na faixa dos que acertam 49/50/51.
Meu pai gastou duzentos reais na inscrição, depois mais vinte e dois reais nos requerimentos dos certificados de conclusão, mais quarenta reais nas idas e vindas de Dourados, e mais o dinheiro da gasolina do carro pra me levar até a Unigran neste domingo passado pra que eu fizesse a prova.
Cheguei lá, tava chovendo, com um clima agradável. Comecei a fazer a prova era 13:40. Terminei 18:00. Esperei mais 30 minutos pra poder levar o caderno de respostas e vim embora.
Na segunda, sai um gabarito oficial. Eu tava me cagando pra conferir, com medo de não ter passado. Levei ali na casa da irmã da Paty e ela corrigiu pra mim.
- Não acredito, disse ela.
- Me fudi?
- Acertou 49.
Bom. Beleza, fiquei de boa, na minha tranqüilo, pensando que 49 era uma boa nota, que podia anular uma, que tava tudo numa nice. Voltando a pé da casa dela, resolvo eu contar as questões. Contei e recontei e vi que ela tinha errado na conta, que eu tinha mesmo era acertado 48. Aí, velho, foi foda... escutei a Maysa cantando ao fundo:
- Meu mundo caaaiuu....
Porra, eu pensei. Nem na trave foi. Com 48 é quase impossível passar com recurso, a chance, segundo o gordo bobo, é de 11%. Que grande merda do caralho, fiquei pensando. Como diabos vou contar isso pras pessoas? Tava todo mundo muito confiante! E então foi me apossando aquele leve sentimento de desânimo, de incapacidade, de tristeza misturado com decepção, de raiva misturado com vontade de me bater. Uma coisa muito estranha, já que hoje eu vejo que não havia saído tão mal assim.
Na terça feira, saiu o gabarito preliminar oficial. Corrigindo por ele, vi que acertei 49. Não melhorei muito. Um pouquinho só, mas nada que seja aquela coisa de meus deus!, como esse menino melhorou. 49 ainda são 49. Como diria não-sei-quem, 49 não é 50. E se não é 50, quer dizer que você não passou? Não, nem de longe. Mas pode anular alguma? Deve anular, de 1 a 3. Sempre segue esse padrão. Portanto, estou com um pouco de esperanças. Mas beeem pouquinho.
Briguei com os meus pais por causa disso. To com vergonha deles. Minha mãe já me deu aquela xingada e ontem escutei os dois cochichando algo do tipo?
- ... tá sendo uma atitude infantil a dele...
Infantil, então?
Quem dera fosse. Acho que está sendo uma das atitudes cuja motivação mais está passando longe da infantilidade. É dinheiro o que eu quero. É começar a construir a minha vida o que eu quero.
Ainda bem que eu tenho pessoas comigo. Pessoas que me ajudaram muito nesse momento. Quem ajudou, sabe. E ainda bem também que tenho o livro. A ilusão de que eu vá conseguir uns trocadinhos com ele fizeram com que eu não ficasse podre de vez.
Uma reprovadinha de leve. Nada mais revigorante.

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criado por douglasmangini
13:09:42