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Terra Blog

Arquivo de: Março 2009

31.03.09

Da briga, da bicha e da moeda.

Como passei na OAB, e eu não canso de repetir isso, por mais que vocês (SIC) já estejam enjoados, meu irmão me disse que deveríamos comemorar com um bife na chapa aqui em casa. Isso foi na terça feira mesmo, logo após ele saber da notícia. Disse que era pra chamar todo mundo. Chamei. Comuniquei o pai e ele disse que compraria os bifes e o carvão, sendo que a cerveja seria da nossa conta. Estava tudo certo. Na quinta feira de meio dia, discuti com a minha mãe. Feio. Ouvi coisas que não queria ouvir, disse coisas que não deveria ter dito. Me perguntaram depois, o Nehme, o Alex, o Eduardo, a Karla, o porquê de eu ter brigado. Eu não consegui explicar. Tudo começou quando recebi uma ligação do meu tio de Fátima do Sul para parabenizar a aprovação. Ele se intrometeu na minha vida, coisa que eu mais detesto que façam, indo na casa dos pais da Izabella perguntar se agora que ela tinha terminado o namoro, eu tinha chances com a filha deles. Porra!!!!... calma... acho que não deu pra externar o tamanho da raiva.... POOOOOOOOOOOORRRRRRRRRRRRRRRAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!.... Por que diabos aquele filho da puta foi fazer isso? Eu nem sou apaixonado pela Izabella! Nem nunca fui! Em qual momento da vida dele ele achou que isso fosse algo a ser levado em consideração? Em parte da existência dele ele supôs que isso seria uma coisa boa a se fazer? Enfim... fiquei completamente puto e contei a cagada que o tio havia feito. Eles riram, disseram que não foi nada e pediram pra que eu não ligasse. Como assim, não ligar??? Como assim, ele vai lá na casa dos pais da guria e fala por mim como se eu realmente quisesse aquilo?
- Teu tio tá ficando louco. È a convivência com a tua tia... a gente tem que aguentar.
- Eu não sou obrigado a agüentar ninguém.
- Claro que é filho, a gente tem que saber lidar com as pessoas.
- Mas nem por isso vou ser obrigado a suportar alguém.
- Na minha casa, você nunca vai maltratar ninguém.
- Vou maltratar quando me incomodar.
- Para com isso... fica tranqüilo. Ainda mais por uma bobeira dessas...
Não, não, não. Não foi bobeira. Há anos venho agüentando tudo o que acontece aqui. O tio ter se metido na minha vida, pra mim foi a gota d’água. O cúmulo... o pernilongo indo embora... (fim da picada?... hauahuahua... tah... essa foi terrível...). Então coloquei a Thaiana na conversa, dizendo o quanto o fato deles mimarem a guria me estressa. Que eu não gosto de criança mimada e que por isso não ia mais suportar os mimos dela quieto. Eu a trato como trato um adulto, mas ela tem só 6 anos. Falar da Thaiana aqui em casa é o mesmo que bater nos dois, e lá veio o comentário:
- Se não tá bom aqui, meu filho, sai.
- É tudo o que mais quero. A senhora não sabe o quanto eu quero sair.
- Pois é... o problema é que você pensa que lá fora as coisas são fáceis.
Aí eu me ofendi. Como assim, acho que as coisas são fáceis? Desde quando eu sou retardado o suficiente pra achar que “lá fora” eu vou ter almocinho pronto, louça limpa e cama arrumadinha? Me ofendi porque parece que eles ainda me vêem como criança. Foi aí que eu comecei a dizer um monte de coisas. Dizendo que nunca ninguém me escuta, que me tratam como se eu fosse criança, que as coisas que eu falo não tem valia. Pensando bem, ninguém me leva a sério. Nunca ninguém me levou a sério. Talvez pelo fato de eu ser pequeno e com cara de criança, não inspiro a menor confiança. Toda as vezes em que eu abro a boca pra comentar, parece que é um comentário infantil e ruim o suficiente pra não ser levado em consideração... Continuando: eu disse que queria ir embora. Que tinha planos de ir pra Curitiba e que não mais queria ficar aqui. Minha mãe gritou algumas coisas, eu outras e meu pai quieto. Eis que eu os percebi emburrados a tarde toda. Naquele dia eu ia pra Dourados, como já havia dito no post anterior e quando eu voltasse na sexta à noite, as coisas estariam arrumadas pro bife na chapa. Quando eu voltei, não estavam. Meu pai não havia comprado nada e meu irmão havia desmarcado com todo mundo. Foi quando eu percebi que eles estavam me cortando “as pernas”. O pensamento deles é interessante e necessário: não vamos mais dar dinheiro pras coisas dele. Quer ser adulto? Aja como um!”. Isso eu fui saber só hoje, quando minha mãe me chamou de novo pra uma conversa, chorou, coisa que eu detesto ver, me disse mais coisas, eu também não fiquei quieto. Ela me disse que deles não sai mais nenhum dinheiro, pra nada.
Ontem à noite eu juntei minhas moedas e tinha R$ 1,72. Peguei 1,50 e fui comprar um palermo num bar (e entenda bar no real significado, com mesas de sinuca, um monte de bêbado e aquelas putas velhas com mini saia) três quadras aqui de casa. O palermo tava 1 real, sendo que me sobrou duas moedas de 25 centavos. Na volta, na esquina do bar, andando devagar e pensando nas coisas, vejo um farol se aproximando e encostando, com alguém dizendo “para aqui, para aqui”. Parou rápido já foi abrindo a porta e saindo rápido pra cima de mim. Quando vi, era uma bicha. Bicha mesma. Como veio pra cima de mim, gelei, achando que fosse me agarrar (uuuuuuuiiiii... huahauhauahuahuahua).
- olaaaaa.... disse com a maior voz de bicha.
Eu fiquei quieto e continuei andando. A bicha foi indo pro lado oposto e lá de longe ela gritou:
- Desculpa, moço...
Fiquei quieto e continuei andando, rebolando as moedas entre os dedos. Na outra quadra, ao desviar pro meio fio por causa do carro, uma delas caiu no mato, no meio do barro e eu fiquei puto. Era vinte e cinco centavos, mas eram meu vinte e cinco centavos. Fiquei ali, olhando pra baixo, mexendo no mato, coisa de quase dez minutos, até ver ela quase soterrada. Não tive dúvidas, meti a mão no barrão e tirei ela de lá. Logo que a peguei, fui pensar no que havia feito. Era vinte e cinco centavos. Meus vinte e cinco centavos, mas não deixavam de ser vinte e cinco centavos. Por mais que fosse dinheiro e meu dinheiro, caiu no meio do mato alto, à noite, numa rua sem iluminação. Hoje, escrevendo, acho que foi meio que por desespero. Não sei se é essa a palavra, nem o sentimento, mas algo me fez ficar lá, parado, quase dez minutos, pra depois enfiar a mão no barro pra resgatar uma mísera moeda. Agora, ela tá ali em cima da cômoda, junta com o resto. Minhas últimas moedinhas. Também, no que depender de mim, serão realmente as últimas que eu consegui do troco do dinheiro que meus pais me deram. Tenho quase dois meses pra conseguir a carteirinha da OAB. Vou ver se consigo, e eu quero conseguir, não pedir mais nada pra eles. Veremos.
É, pra Março, acho que está bom.

Pra finalizar, uma frase muito sábia e que se enquadra exatamente na minha atual situação: queria ser pobre um dia..... porque ser pobre todo dia é foda!

Hauhauahuahuahauhauah... caaaaaala boooooca, Douglas!

Caleeei, calei...
=)
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 15:00:40

30.03.09

Da passada na OAB.

Passei no Exame da Ordem. Vinha estudando desde Outubro passado, por resumos, sendo que, acho que já disse isso aqui, nas ultimas duas semanas, estudava quatro, cinco horas por dia. Mesmo assim, quase reprovei na primeira fase. Após saírem os recursos e vi que estava na segunda fase, por já vir estudando, não me atropelei. Lia um pouco, ficava aqui na net falando com a Nicoli, saía... essas coisas que eu fazia. Aí veio a provinha, no dia 1° de Março. Foi em Dourados, em um dia filhadaputamente quente, onde entupiram de gente numa sala com quatro ventiladores que não deram conta. Entregaram a prova e vi que ia me fuder. A Peça Processual eu sabia fazer, mas as questões estavam de arrancar pelo do cu com pinça! Na peça, fiz o preâmbulo e errei. Tive que passar um risco em cada frase dele e começar embaixo, perdendo mais da metade da primeira folha, de cinco que eles dão. No fim da peça, eu precisava arrolar testemunhas, mas faltava uma linha. Fiz mais ou menos assim, tudo espremido:
“termos em que pede deferimento.
Local – Data
Advogado – OAB/MS
Testemunha: ------“
E acabaram as linhas. No enunciado que te levava fazer a peça, eram dadas três pessoas que poderiam ser arroladas. Arrolei uma só. Fiquei com medo de perder muito ponto. Olhei no relógio e eram 3 da tarde. Bom, falta 3 horas e pouco pra acabar, vou ali dar uma descansada. Saí, fui beber água, mijar... voltei, sentei a bunda na cadeira e comecei a me fuder com as questões. Uma mais difícil que a outra, e aquilo foi me dando um nervoso, um suador, um vermelhão, foi me faltando paciência, o ar... ainda mais quando eu vi que duas questões que eu já tinha feito poderiam ser interpretadas de outra maneira, o que mudaria a resposta. No fim de cada uma delas, além do que eu já havia escrito, eu acrescentei “se bem que se analisarmos de outro ângulo, há a seguinte possibilidade, bla bla bla”. Já gelei de novo, por achar que, talvez, as questões fossem desconsideradas, ou o que eu tinha escrito no final anulasse o que havia escrito em cima, ou vice-versa. Olhei no relógio e faltava 40 minutos. Ainda não havia feito uma pergunta. Aí comecei a pingar suor, levantei pra beber água e voltei. Sem saber bulhufas sobre como ia resolver aquilo, chutei e entreguei a prova. Saí arrasado, achando que se passasse seria por aproximação.
Não vi minha nota, mas como disse o Alex, o que importa é que nosso nome saiu na listagem.
Me sinto melhor com o resultado. Mas a vontade, o ânimo, continuam desaparecidos. Vim comemorando desde quinta feira à noite, emendando sexta, sábado e ontem. Fumei feito um porco da índia também. Hoje acordei com a garganta doendo e cheio de catarro.
Na quinta bebemos lá no Alex. Duas caixas de Skol pra ele, Rodrigo e eu. Chamamos os vizinhos que chamaram as vizinhas. Eles fizeram outra vaquinha e compraram mais cerveja. Na sexta, levei o requerimento do Certificado de Aprovação no Exame da Ordem, voltei pra Ponta Porã e bebi também. No Sábado, com o meu irmão e os amigos dele de tarde, de noite com o Marcel e de madrugada, sozinho. Ontem, uma pinga que um cara muito sagaz me deu de tarde e um cerveja à noite. Acho que está devidamente comemorado! Huahhuahauhauahuahuahua....
Agora é continuar estudando, esperar vir a carteirinha, por um terno e ir pra onde quer que haja lugar.

Pra completar o número de posts que eu quero pra Março, escrevi essa bobeira. Amanha tem outra e deu. Hasta.

  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 16:16:24

Da especialidade.

Há muito tempo atrás, com dezessete ou dezoito anos eu acreditei ser possível filosofar. Eu pensava, bebia, fumava e chegava a uma conclusão. Pensei eu, porra, até que não é assim tão difícil. Aí eu passei a ler Nietzsche, Schopenhauer, Kierkegaard, Kafka. Encontrei no primeiro e no último coisas parecidas, vidas parecidas, mas que haviam tomado, lá na frente, um rumo parecido. O Nietzsche e o Kafka sempre foram... feios. Naquela época, eles tinham que pedir a mão da mulher em casamento antes de ficarem, namorarem, noivarem e etc. Não que devesse ser algo respeitoso, sei lá, não to falando que eles não fudiam antes disso tudo, ou se não rolava uns beijos e uns amassos em cima de fenos... estou dizendo que a cultura deles, na época, era de cortejar, chegar com uma roupa bonita, engomada, cabelo penteado, e pedir a mão da moça em casamento. Se ela dissesse não, você se fudia. É... nada muito diferente do que hoje em dia... enfim... continuando... O Nietzsche e o Kafka pediram várias mulheres em casamento e nenhuma aceitou. O Kafka chegou a ter lá uma ou duas amigas coloridas com as quais trocava cartinhas, mas o Nietzsche, esse se fudeu. Nunca li nada a respeito dele ter alguma mulher a quem mandar cartinha. Se houve alguma mulher na vida dele, vocês podem me xingar aqui. Melhor, saibam se ela é gostosa... se não for, é como se o Nietzsche nunca tivesse tido mulher nenhuma!... hauhauahuahua... seguindo... então os dois se fuderam? Os dois se fuderam. Com mulher? Com mulher. Isso fez com que eles ficassem tristes e escrevessem? Isso fez com que eles ficassem tristes e escrevessem. É no que eu prefiro acreditar.

Sei que a mente de vocês está pululando de raiva, acreditando que eu esteja aqui querendo me comparar ao Nietzsche e ao Kafka. Talvez pensando que o fato de eu acreditar que eles são tristes e escreveram por causa de desilusão amorosa é uma maneira de eu me conformar com a situação e querer ser igual a eles, tanto na forma de escrita e qualidade das idéias. Não, não, não. Estão, todos, redondamente equivocados. Nietzsche foi considerado o cara mais inteligente do século XIX. Rollo May considera Kafka uma das mentes mais geniais que já existiram. No livro “O Homem à Procura de si Mesmo” ele explica o porquê, demonstrando algumas passagens dos escritos do Kafka, fazendo um estudo de psicanálise e o caralho a quatro, que eu não lembro. E eu?... Huahuahauhauhauahuahua... aiai. Então... antes que façam cara torta de nojo e desprezo já aviso que não, não estou me comparando ao Nietzsche nem ao Kafka. Em frente.

Digo que ambos seguiram caminhos diferentes, já que Nietzsche resolveu ser ácido, corrosivo, cuzão, fodástico, chtando o pau da barraca, ofendendo a mãe, do malzão. Kafka guardou pra si, e eu o imagino extremamente melancólico. Escreveu coisas que eu até hoje considero como insuperáveis, tal qual “O Artista da Fome”. É nesse conto que eu acredito estar toda a essência da sua filosofia. Kafka é, realmente, muito foda.
E lá estava eu, lendo e escrevendo filosofia. Filosofia barrelinha, de boteco, coisa de pequenos parágrafos, algumas considerações sobre algumas coisas. Esses dias eu os li novamente e vejo que muito do que eu acreditava, ainda permanece, mas há outras coisas que são bastante infantis. Como exemplo, a seguinte passagem:

Sobre o Amor.

Levando-se em consideração o que foi dito acima, qual dos dois tipos de beleza despertam o amor real do próximo? Também será necessário esclarecer algumas coisas antes de responder. Primeiramente, não há amor sem paixão (isso quando se fala de amor de um homem por uma mulher e vice-versa). é a paixão que alimenta o amor, que não deixa este apagar, morrer. Então, o que desperta a paixão? A beleza externa, e somente ela. Ninguém consegue se apaixonar por uma pessoa apenas por ela ser inteligente; o que sentimos pela inteligência alheia é uma atração invejosa. Então, aqueles que não foram “abençoados” com a beleza externa nunca conseguirão ter um amor verdadeiro? Não. O amor tem como fundamento a beleza, tem por base a reciprocidade e como essência a paixão. É um sentimento mesquinho, mas que nada tem de contingente, por ser bem objetivo, concreto; não é algo tocável, mas é aquilo que é, e não aquilo que pode ser. É uma coisa certa.

Infantil, errado, ultrapassado, repetido...

Tem outra passagem ruinzinha, mas que me fez escrever ess post por algo que o Nehme disse. É a seguinte:

Sobre a Eterna Procura.

Toda pessoa emite um brilho, algo de especial que a torna única. Há de se considerar que este brilho pode ser explícito, ou implícito. Devemos buscar o brilho de cada pessoa, sempre, por mais odiosa que esta seja, para pelo menos entender suas ações e razões. Essa procura, pelo brilho de cada um, faz com que nós nos tornemos mais tolerantes e pacientes em relação aos outros, o que ajuda no convívio em sociedade. A intolerância é uma doença social grave. Ver o que cabe a cada um é fácil, é só querer.

Bah, “Eterna Procura”... hauhauahuahuahau... quase que não quis copiar ninguém. Certo. O Nehme conseguiu roubar um arquivo do meu MP3 a vez em que fui levar o Lisura na casa dele pra imprimir e teve acesso a essas merdas. É um arquivo chamado “Crônicas”, onde eu fiz a maior parte dos ensaios. Ele imprimiu aquilo tudo, e leu, masoquistamente, página por página. Ontem chegou pra mim e disse:
- Primo... andei pensando em algo que eu li... sobre a especialidade de cada pessoa, o brilho de cada um...
- Uhm...
- E... eu pensei o de todo mundo, até no do Faissal...
- Certo...
- Acabei pensando no teu... na tua especialidade...
- Lá vem...
- Você sabe qual é, primo?
- Sei, Nehme.
E ele ficou quieto. Quando eu disse que sei, eu sabia realmente. Minha especialidade é não ter brilho. Não sou bom em nada... etc, etc, etc. Estou ficando velho, feio e careca. Barrigudo e sem dinheiro. Escrevendo coisas sem graça e sem nexo. Dizendo coisas que há muito tempo perderam o significado. Me sentindo mal por não ter conseguido nada na vida. Nem um mísero salário. Nada, nada, nada. Esse é a minha especialidade, Nehme, não ser bom em porra nenhuma. Ser ranzinza, incomodativo, ingênuo, sem inteligência funcional, prepotente. “Ver o que cabe a cada um é fácil, é só querer”, eu disse uma vez.

Hoje já não faz nenhum sentido.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 12:25:08

23.03.09

Da tropa do quartel.

Semana passada, assim que cheguei em casa, na quarta feira, cansado da viagem, louco para dormir na minha cama, com a perna esquerda formigando e o joelho doendo, decidi que era hora de começar a correr. Há tempos eu tinha essa idéia, e algumas vezes, raras, beeeem raras, eu corria e não agüentava muito. Na verdade, não agüentava nada, nunca agüentei. A desculpa que eu usava sempre foi o fato de eu não ter um tênis com amortecedor. Nas raras, beeeem raras, vezes em que eu saía e corria, sem agüentar nada, eu ia com o meu all star e voltava com uma dor filha da puta na planta dos pés. No meu aniversário do ano passado eu ganhei um tênis com amortecedor e disse a mim mesmo que começaria a correr. Pelo fato de estar, ainda, estudando, com preocupações que eu julgava imensas, eu usava a desculpa de que eu não correria porque no horário em que me apeteceria correr, eu estaria me preparando para ir viajar para ir à faculdade. Minha mãe e meu irmão começaram a fazer farra, pelo fato de eu sempre arrumar uma desculpa. Me formei e, como outra desculpa, dizia que eu não poderia correr, porque tinha que estudar pra OAB, e o fato de eu sair faria com que as pessoas que me conhecem tivessem uma visão desleixada de mim, que poderiam pensar “olha ali, ao invés de sentar e estudar, não, sai correr”. E se eu não passasse na OAB? Eu, como forma de desculpa, me culparia por, ao invés de estudar, sair correr. Agora que já fiz a prova e que não há nada mais para fazer, qual seria a desculpa? Não consegui encontrar nenhuma, então decidi sair correr. Na quarta feira mesmo, pus o tênis com amortecedor e fui. Corri 700 metros e quase tive vontade de me jogar no bueiro da esquina. Estava morrendo, suando feito um porco, com as pernas ardendo. Batia em mim mesmo e dizia você não vale nada! Você não vale nada! Hauhauahuahauhauahu... Ah, todas as medições são fruto daquela ferramenta sagaz do Google Earth. Após correr isso, andei até a casa do Nehme e voltei, o que totalizou, ao todo, 5,5 km.
No outro dia, 5ª feira, eu estava completamente sem chão, destruidaaaaço... ta, isso foi gay, falar destruidaaaaaço, hauhauahuahuahaua, mas era assim que me sentia e era três da tarde, estava um solão intenso e eu precisava preencher meu tempo. Peguei a bicicleta que o Zé arrumou enquanto estava fora e fui andar. Subi até a rua do hospital e fui pedalando contra o vento, me sentindo o super homem. Minhas coxas começaram a queimar e eu senti que era aquilo que eu precisava. Pra melhorar o exercício, a cada começo de quadra eu pedalava o mais forte que podia, indo até o fim dela, freando por causa dos carros. No começo da outra, contra o vento, pedalava o máximo que podia, sem parar, já morrendo, com dificuldade pra respirar pelo nariz e soltar pela boca. Cheguei perto do centro e resolvi subir até o quartel. Lá, os milicos que entraram agora no início do ano estava limpando a grama que brotou entre as lajotas de pedra na calçada imensa que fica em frente. Debaixo do sol, limpando com um formão, cada um com o seu, rapando os espaços entre as pedras. No fim da rua, virei à direita e fui em direção à casa do Nehme, forçando, de novo, em quase todas as quadras. Ao chegar lá, minha cabeça vertia suor e eu me senti mal, com a pressão baixa, com a visão ficando escura. Sentei e pedi sal pro Faissal. Pus um pouco embaixo da língua e fiquei lá, até passar. A tia Anilza me viu e disse:
- pra que isso? Você tá vermelho!Você não é o super-homem!
- Sim, tia, eu sou...
Voltei pra casa. Na sexta, corri de novo, e dessa vez, menos, coisa de 500 metros. No sábado, a mesma coisa. No domingo choveu, mas isso é só mais uma desculpa. A verdade é que me deu preguiça mesmo.
Hoje também choveu, mas mesmo assim saí correr. Era 4 da tarde, tinha uma garoa fina caindo, e eu fui. Corri novamente 500 metros e me senti mal, mas não de saúde, me senti mal por não ter evoluído nada. Já ofegando, com as pernas queimando, decidi continuar correndo. Desci até a pousada e fui reto, até em frente ao Magsul, o que totalizou 1.2 km. Chegando lá, tive que sentar no meio fio, com a garoa caindo, eu ofegando, quase chamando a mãe, descansando. Eis que, do outro lado da rua, surgiu a tropa do quartel.
Corriam todo juntos, e quando estavam passando por mim, um começou a cantar:
- Olha a faca, olha a faca!
E o resto repitiu:
- Olha a faca, olha a faca!
- Olha a faca na caveira!
- Olha a faca na caveira!
- A faca brilha e a caveira sorri!
- A faca brilha e a caveira sorri!
E mais algumas coisas que foram cantando que eu não consegui entender.
Aquilo me fez sentir como sendo o pior sujeito do mundo. O mais mole, mais preguiçoso, mais insuportavelmente fraquinho. Eles sim são homens, pensei. Sou apenas um projeto. Um projetinho. Levantei e comecei a correr de novo. Mais duas quadras. Andei mais umas cinco e corri mais duas. Quase chegando no Nehme, em uma subidinha desgraçada, corri de novo. Cheguei lá podre, pingando, com a gola da camisa ensopada... se bem que acho que foi resultado da chuva. De lá, voltei no mesmo ritmo, andando um pouco, correndo outro, tentando, em vão, respirar corretamente. Na volta, fiz uma musiquinha minha, tipos essas de quartel, que vou cantar todos os dias em que for correr, o que espero serem todos os daqui pra frente, pelo menos até o dia 18 de abril, data em que vai completar um mês em que estou correndo. Quero ver o quanto vou evoluir e se vou evoluir. Ah, a musica é assim:

“1,2,3,4,5 mil, eu mando o cansaço pra puta que pariu.
A gaúcha tem uma zona, tem preta, loira magra e até gordona.
Nelas eu não pago nem 1 real, não foi no lixo que achei meu pau.
Eu sou um sujeito estranho, perna e braços finos e a barriga desse tamanho.
Agora eu sei porque eu sou solteiro, não aguento nem correr o caminho inteiro.”

Huahuahuahauhauahua... eu me divirto comigo mesmo. Aiai...

Amanha tem outro post.

Hasta!
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 18:55:17

22.03.09

Da não ida a Santiago.

Hoje o Radiohead toca em São Paulo. Na sexta feira, dia 20, eles tocaram no Rio de Janeiro, junto com Los Hermanos e Kraftwerk. Tudo por 200 reais. Há vários meses, desde de que eles lançaram o In Rainbows, já havia boatos de que eles viriam. Em Outubro passado, ficou acertado as datas, os preços e o horário.
Eu comecei a escutar Radiohead há uns 6 anos, tendo sido duas as primeiras músicas: Creep e Fake Plastic Trees.
Como eu já disse aqui uma ou várias vezes, escutar Radiohead foi uma das únicas coisas que eu fiz em Dourados plenamente. Todas as vezes em que eu me senti triste lá, eu me trancava no quarto e escutava. As duas vezes em que me apaixonei, o único consolo que eu tinha ao imaginar a pessoa beijando outra e até mesmo fazendo coisas mais doídas (a mim, ao menos) era escutar algumas frases que eles conseguiram criar e que são fantásticas.
Como alguns exemplos, há na There There duas passagens que sempre me ajudaram. No refrão, ele canta “Just because you feel it, doesn’t mean it’s there”. Já no fim ele canta “We are accidents waiting to happen”. Na True Love Waits, ele canta que há uma pessoa que está sozinha e que o amor verdadeiro espera. Na Karma Police, há a frase “for a minute there, i lost myself”. Na Ceep, “She’s running out again”, “i’m a creep, i’m a weird, what a hell i’m doing here? I don’t belong here”, “and I wanna you to notice whem I’m not around, you’re so fucking special, I wish I was special”. Na Weird Fishes, “in the deepest ocean, the bottom of the sea, your eyes… they turn me. Why should I stay here?” e “I hit the bottom, hit the bottom and escape”.
Ainda, os caras, na minha opinião, fazem um estilo de música que ninguém mais faz ou fez. È uma mistura de sons, mistura de vozes, mistura de gemidos com cantos ao fundo inteligíveis que me fazem abrir um sorriso de contemplação. Escutar o final da Let Down bem alto no fone de ouvido é de arrepiar. Ainda mais voltando de uma viagem onde você perdeu a sua sustentação e motivo de alegria... bem, isso não é justo... e sobre isso, falarei em outro post.
Dizem que Radiohead é música pra quem gosta de curtir fossa. Discordo! Hahuahauhauahua... eu não gosto de curtir fossa! Ou gosto..?... sei lá... hauahuahuahua... mas o que eu penso é que a música deles não é triste, é fodástica, e algumas passagens, como já disse e reitero, chegam a ser sublimes, belas... mas o que diabos isso tem a ver com tristeza, Douglas? Não sei, Outro Eu... acho que nesse parágrafo, assim como em tudo o que ando feito ultimamente, pus os pés pelas mãos. Continuando... não acho que seja triste... a tristeza está em quem escuta. Duvido algupem escutar Jigsaw Falling Into Place e continuar triste. Ou a própria Idioteque. Não tem como ficar parado escutando Idioteque! Ainda mais vendo os vídeos do Thom Yorke no youtube dançando alucinadamente Idioteque.
Radiohead é a banda que eu mais gosto, como creio que já deu pra perceber. Não considero como sendo a melhor banda do mundo, porque dizer isso seria, novamente, injusto, mas considero como sendo, sem sombra de dúvidas nem concorrência, a melhor banda em atividade. Não tem como escutar Videotape sem abrir um sorriso e perguntar como diabos eles pensam que colocar um batuquinho sinistro de nateria na metade da música dá um tom excepcional? Chega de puxar saco, Douglas, parece viado. Ok, desculpa. Vamos ao que interessa, portanto: o Radiohead, pela primeira vez, veio ao Brasil e eu não fui no show.
A Karla foi, conseguiu que uma amiga lha comprasse o ingresso, juntou uma grana e hoje, neste exato momento, deve estar esperando para ver Los Hermanos. O Nehme ficou louco de vontade de ir, mas quando o pai dele, o tio Ale, deu sinal verde, já tinha acabado os ingressos. Ele pesquisou na Internet e viu que vai haver um show no Chile, em Santiago, e me disse:
- Primo, vamo comigo pra Santiago?
- Nehme, você comeu cocô? Eu não consegui juntar dinheiro nem pra assistir aqui no Brasil, como vou fazer pra ir pro Chile?
- Ah, cara, dá um jeito...
Que jeito?, eu me pergunto. Que jeito???? Hahuahuahauhaua....
Os shows em Santiago serão dia 26 e 27 de Março, a 250 reais a entrada pra área VIP. O Nehme me disse hoje que não teria graça se ele fosse sozinho. Infelizmente, primo, o seu pai não vai me pagar a passagem nem mesmo o ingresso... infelizmente, primo, não poderei ir com você a Santiago. Se você for, vai ser massa. Aí você me conta.
Não estou chateado de perder o show, ao contrário. Assistirei hoje pela Multishow, no conforto do lar, tranquilamente. É só um show. Não vai me fazer ganhar dinheiro e é só com o que me preocupo ultimamente.
Radiohead já me ajudou (ou não) bastante no final da adolescência e foi escutando todo o In Rainbows que eu terminei o meu livro. É só um show e eu não me arrependo de não ter conseguido ir.
Daqui muitos anos, o meu filho que eu nunca vou ter vai me perguntar:
- papai, o senhor conhece Radiohead?
- pouca coisa, por que?
- saiu uma reportagem que os lista como uma das maiores bandas de rock que já existiu, ao lado de Led Zeppelin, Pink Floyd e etc...
- bacana...
- eles vieram no Brasil em dois mil e nove, né?
- vieram...
- o senhor não foi por que?
-... vai ver tevê, filho...
Hahuahauhauhaua...
É isso. Acho que a qualidade disso aqui anda pior do que antigamente. Foda-se, Douglas, ninguém lê essa merda. É verdade...
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 18:34:56