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Arquivo de: Abril 2009

28.04.09

Da merda.

Fui ontem novamente a Dourados. Tive que ir na Unigran requerer uma certidão de colação de grau com tramitação do diploma e o histórico escolar, por serem documentos necessários pra inscrição na OAB. Por falar nos documentos, é tanta coisa que eu preciso pedir, que acho que vou ter que ir até em um pai de santo pra pedir a ficha da minha vida passada. È certidão negativa de antecedentes criminais estaduais, militares estaduais, federais, militares federais, cópia autenticada de meio mundo de coisa, fora que terei que ir até Campo Grande pegar mais alguns. Porra! Me canso só de pensar. Fora que a certidão de aprovação na OAB ainda não chegou, o que já está começando a me preocupar, pois a moça, Olinda, que atende lá na OAB em Dourados começou a me dizer que, possivelmente, está faltando documentos de minha parte.
- Qual documento?
- Certificado de Conclusão do Curso.
- Mas esse eu já entreguei.
- Mas você assinou o compromisso?
- Assinei porque eu estava desesperado nos últimos dias de inscrição pra prova e estava no edital que eu poderia expedir um documento onde dizia que eu já havia fechado as notas e que colaria grau nos próximos dias. Eu fui, expedi esse documento, mas para que o mesmo fosse aceito, eu teria que assinar o termo de compromisso que eu entregaria o Certificado de Conclusão e...
- Então, tem que entregar.
- Calma... deixa eu explicar. Dois dias após eu ter entregue o documento e assinado o termo, você me liga dizendo que o mesmo não seria aceito e que eu tinha que entregar o Certificado. Eu fui até Dourados, fiz o que tinha que fazer, consegui o documento no dia 15 de dezembro, antes das 11 da manhã, que era quando você mandaria o malote para Campo Grande.
- Ahmm... quer dizer então que o senhor já entregou o Certificado?
- Já.
- Mas acho que vai ter que entregar de novo.
Foi aí que fiquei puto. Por milímetros, não a xinguei. Respirei e disse:
- Moça, pelo amor de deus! Não faz isso comigo! Eu preciso trabalhar! Não me faz ter que te entregar um documento, cujo qual já entreguei!
- Olha... eu vou ligar em Campo Grande e te retorno.
Não retornou. Isso foi quinta feira da semana passada. Ontem liguei e ela disse que talvez não haja problema nenhum com a minha documentação e que o atraso pela remessa das Certidões de Aprovação é de Campo Grande. Pediu que eu ligasse hoje. To esperando o horário.
Para dar uma adiantada nas coisas, e sabendo que tudo o que se pede na Unigran demora, religiosamente, 8 dias úteis, com exceção do diploma, que é uma espera de 9 meses, fui lá requerer o que disse ali em cima. Acho que se você chegar na Unigran e perguntar pro guardinha que horas são, ele te responde:
- em oito dias úteis você retorna e as horas estarão sendo dadas.
Você vai beber água no bebedouro:
- volte com sede em oito dias úteis.
Você vai usar o banheiro:
- mijo, dê descarga em oito dias úteis. Merda, em nove meses.
... chega Douglas, ninguém tá rindo. Eu sei. Continuando... estava eu aqui à tarde me programando pra ir, pensando se ficaria, desnecessariamente, na Karla pra voltar hoje de madrugada, o que acabei decidindo que não, quando vejo a Michelly online e disse:
- Micha, to indo hoje pra Dourados... vou estar na Unigran, então... desce lá, a gente aproveita e vai no bloco oito beber uma cerveja.
- Eu tenho aula hoje.
- Primeiro ou segundo tempo?
- Primeiro.
- Putz, quer dizer então que você vai perder o primeiro tempo?
- Não posso. È importantíssimo.
- O que fazemos, então?
- Você me liga nove horas, aí eu vejo onde você está e a gente combina um lugar pra se encontrar.
Beleza. Peguei as coisas e fui. De novo, e como vem acontecendo já com bastante freqüência, não apenas no busão, não perdi no truco. Lá em Dourados, requeri os documentos, que ficarão prontos em... pois é. Olhei o relógio, sete e vinte da noite, fui no Rodrigo, ou melhor, na república onde morei, fiquei lá conversando, tomando tereré, até que deu nove horas. Liguei e não atendeu. Esperei dez minutos e liguei novamente. Não atendeu. Nove e quarenta ela me dá um toque a cobrar, eu ligo de volta e ela diz que se esqueceu e que, após a aula, foi embora.
Eu juro que se eu tivesse conseguido ir beber com ela, pra conversar apenas, pois eu sabia que não ia conseguir ficar, eu não contaria, já que vocês (SIC) não têm nada a ver com essas coisas e, mesmo porque, acho que não têm interesse nenhum em saber. Só conto porque não deu certo e de certa forma é engraçado. Juntando com todas as outras coisas que já escrevi aqui no blog, acho que sempre cheguei ao mesmo ponto quando se trata de uma mulher pela qual estou dispondo atenção, nem que seja meramente para propósitos sexuais, nem que seja apenas um pouco: nunca dá certo!.. hauhauhauahuahua...
Para fechar a noite, o Rodrigo e o Baaaandido, também conhecido como Demiiiii, ou Liãozinho matadô de bugre, ou também conhecido como Gi, por todas as meninas que passam na rua, e eu estávamos conversando lá na frente quando eles começam a falar de uma guria:
- Bicho, disse o Lião, também conhecido como Simba, tem uma velha feia querendo pegar o Rodrigo.
- Quem?, perguntei eu.
- A vizinha aqui, disse o Rodrigo.
Eu achei que fosse uma vizinha mais distante, tipo lá da esquina.
- Velho, é muito feia, disse o Rodrigo, tem perna fina, é pançuda, cara feia pra caralho e cheia de tatuagem.
- É o cão chupando manga! É um dragão alado!, disse o Lião.
- É muito feia?, perguntei.
- Demais!, disse o Rodrigo.
- O Nilton pegava?, perguntei eu.
- Nossa, pro Nilton é linda! Pegava até na “piguiquita delia”, disse o Rodrigo, imitando a voz do Nilton.
- Mas não pode ser assim tão feia, disse eu.
- Pode!, disse o leão.
Eis que, de trás de uma árvore, ali, do nosso lado, levanta uma mulher. Os dois pararam e ficaram de boca aberta. Eu a vi desviar o caminho e seguir pelo outro lado da rua. Tinha pança, perna fina e tatuagens no braço... Era a vizinha. Então eu parei e pensei: vizinha... e o tico disse vizinha? E o teco disse vizinha... que mora ao lado... e o tico disse a vizinha que mora ao lado, a velha feia, tava sentada atrás da árvore, escutando o tempo todo os três falando alto o quanto ela era feia.
- Eeeeeeeiiita porra, disse eu... não pode!
- Não, velho... a gente não fez isso!, disse o Rodrigo.
- Era ela mesmo?, perguntou o Lião.
- Era, disse o Rodrigo...
A vontade que me deu foi de sair correndo pra Ponta Porã, de tanta vergonha alheia. O Rodrigo não sabia onde enfiar a cara e o Lião ficou pensativo. Depois de um tempo a gente começou a rir. Mais um tempinho, já havíamos tacado o foda-se.
Todo mundo fala mal de alguém quando esse alguém é feio. Todo mundo deve falar do quanto eu sou feio, mas isso não é algo do qual eu precise saber. O foda seria se eu escutasse falando, apontando todos os detalhes que realmente chamam a atenção, pra menos, todas as vezes em que vejo meu reflexo. Ver que não, não é algo da sua cabeça apenas. Fico imaginando o quanto deve ter sido foda pra ela escutar. Foda ao ponto de ela levantar e ir embora, fingindo que mexia num celular. Se ela não se matar, já é lucro... hauhauahuahua... fazer o que? Fizemos merda... foi foda, mas já passou.
De resto, ao próximo post.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 14:18:30

22.04.09

Da briga.

Acordei tarde no domingo, meio dia, com a Karla cutucando meu pé, dizendo que éramos pra ir até Caarapó, pois a família dela estava toda reunida lá e teríamos churrasco, truco e cerveja. Como eu queria ver o jogo do Corinthians, e não sabia se o Japonês ia embora ou não no domingo, eu não quis ir com ela. Ela foi até a rodoviária, viu os horários dos ônibus e descobriu que mesmo Caarapó ficando a 50 km de Dourados, ela ia demorar uma hora e meia pra chegar, o que não compensaria. Deu um tempo e lá estava ela voltando, com um sorvete de Açaí. Finalmente, experimentei Açaí. Das coisas que eu nunca havia comido e que são normais, eu diria que são até mesmo banais, o Açaí é uma delas e sobre as outras eu comento em outro post. Beleza, começou o jogo, eu lá, torcendo, eis que me lembro da Michelly. Pensei caralho, eu esqueci de ligar pra guria! E tinha esquecido realmente, mas daí pensei bom, se foi ela quem convidou, ela devia pelo menos dar um toque, mandar uma mensagem, ou sei lá, entrar no msn. Mandei uma mensagem:
- Micha, foi mal por não ter te ligado ontem, eu estava sem crédito. Você tem como me responder? Se não, dá um toque a cobrar.
E estou esperando o toque a cobrar até hoje. Nada, nenhuma manifestação. Vai ver, se arrependeu, ou sei lá o que diabos se passa na cabeça dela.
Durante o jogo, a Carimbó chegou. Ficamos lá, fumando e rindo da naração dos caras da Band. Após, a Ju e a Fabi chegaram. Assistimos mais um filme, elas pediram duas pizzas, cujas quais eu comi bem depois, só um pouco, quando apenas a Carimbó estava, por ser a única a permanecer lá no apartamento. Isso beirava meia noite. Fiz tereré, ficamos tomando, conversando um pouco mais lá na sacada e eis que surge a L. Dispôs um os dois capacetes em cima da mesa e puxou a D. pra lavanderia. A Carimbó levantou e sentou no sofá, ao lado da Karla. Deu uns dez minutos e ela resolveu ir embora. Então, mais um pouco, a L. indo embora também. Eu, como sou o mais ingênuo, fiquei tranqüilo. Pra resumir, a D. apareceu e disse que a L. começou a bater nela na lavanderia, dando tapa na cara, e que começou a falar mal da Carimbó, sobre o porque dela ir embora assim que havia chegado, e que ia atrás tirar satisfação. Na hora eu liguei pra Carimbó:
- Você já tá em casa?
- Não, to chegando no portão.
- Só toma cuidado, porque a L. foi atrás de você...
- Ela passou por mim de moto e fez o retorno.
- Ok. Qualquer coisa, me liga.
E foi que não se passou um minuto, o interfone tocou. A D. disse que era a L. e que ela queria conversar.
- Vai lá embaixo, D., eu não quero essa guria aqui em cima, transtornada, disse a Karla.
A D. desceu e nós ficamos ali no apartamento. Trinta minutos depois toca o interfone e eu atendo.
- A L. tá transtornada subindo aí, tranca a porta e não deixa ela entrar! Eu to indo no orelha chamar a polícia!
Tranquei a por ta meio que no susto, desliguei as luzes e disse pra Karla não falar nada. Alguém passou a bater na porta, insistentemente, até que eu abri. A L. entrou tranquilamente e foi pra sacada revirar as coisas da D. Depois de um tempo ela levantou e disse:
- Não encontrei as minhas coisas que a amiga de vocês escondeu.
Pegou o capacete em cima da mesa e foi embora. Pouco tempo depois escutamos gritos, e olha que o apartamento é no último andar, no canto mais longe da rua.
- Mew, vamos descer lá e pedir pra essas gurias irem fazer barraco pra lá, disse a Karla.
Fomos, e já antecipo que eu não deveria ter ido. Chegando lá, ela já começou a provocar:
- Olha só os policiais, os donos da razão...
- Cadê a D., perguntou a Karla.
- Lá na esquina.
- Mew... para de gritar aqui na frente da minha casa... to de saco cheio desses barracos...
- Aqui onde? Na rua? Não sabia que você morava na rua! Não to nem aí, isso aqui é público e eu faço o que eu quiser... to pouco me fudendo... Ficou quieta um pouco, tirou um maço de cigarro do bolso e me pediu o meu cigarro pra acender o dela:
- Empresta a brasa?
- Não...
- Ahh... valew! Que lindo isso, aquela amiga de vocês quebrou o meu quarto capacete!
Olhei pro chão e vi a viseira toda fudida no chão.
- Posso te dizer uma coisa?, eu perguntei.
- Não!
- Te empresto a brasa, se deixar...
- Diz logo essa merda!
- Foi você quem quebrou o seu quarto capacete...
- Eu o caralho!
- Claro que foi, você veio atrás da D., não foi ela quem foi atrás de você. A culpa também é sua.
Foi aí que ela começou a bater no meu peito, forte, sendo sarcástica:
- Você, cara, é muito foda! Você é o pai da razão! Você... nossa, é demais!
Batendo no meu peito, cuspindo nos meus lábios, por estar bastante perto. Eu juntei as mãos atrás das costas e fiquei encarando ela. Logo depois ela se afastou e começou a chorar, dizendo que ninguém tinha sofrido o que ela sofreu, que eu não sei o que é sofrer, que eu não sei o que é namorar uma guria por um ano e meio e depois perde-la, e que eu não sei o que é namorar com uma alcoólatra. Eu fiquei olhando aquilo, ela toda sem noção, gritando, chorando, dizendo que um dia eu vou perder a cabeça daquele jeito e que eu era muito frio, que ela tinha pena de mim. Eu virei as costas e fui até onde estava a D. Conversei com ela, disse que a Karla não merecia aquilo e que a culpa era das duas, bla bla bla. Voltei pra onde estava a L. A Karla me perguntou:
- O que você disse pra D.?
- O mesmo que disse pra L.
- E o que foi????, perguntou a L., nervosa.
Eu fiquei quieto.
- O que foi??? Heim???
Eu ri, encarando ela.
- Você tá rindo de mim, seu filho da puta?
Nesse momento ela veio pra cima, levantou o braço na altura da minha cabeça e deixou a mão aberta. Eu pensando ela vai bater, ela vai bater... Se ela me batesse na cara, eu ia bater muito nela. Ia bater nela com um gato morto até o gato miar. Aí ela começou a testar meus limites:
- Você... é um viado! Bichona1 Viadinho! Homossexu-al! Você é um gay enrustido! Uma bicha... sai do armário, seu viado! Sai do armário e seja feliz!
Disse isso com a mão levantada, e eu olhando ela e rindo:
- Para de rir, seu viadinho! Eu sei todos os teus podre, sei muita coisa sobre você!
Querendo se pagar da que sabia que eu já tinha tido experiências homossexuais.
Eu fiquei quieto. Ela voltou pra onde estava, encostada num carro, e continuou a me xingar:
- Você é um bosta!... é um nada! Eu tenho pena de você! Nunca vai arranjar ninguém na sua vida, seu viado. Você é ridículo, um otário, um nada, um bosta...
Eu cheguei no limite. Tudo o que ela queria é que eu batesse primeiro. Virei as costas e disse pra Karla:
- Vamos subir?
- Por que já vai? Te ofendi, viadinho? Foi isso??? Te ofendi?
E assim foi que eu não bati na sapatão. Fui subindo melancolicamente as escadas, com as mãos tremendo. Foi assim que eu me controlei, o máximo que pude, sem levantar a voz em nenhum momento, sem encostar a mão nela. Foi assim que eu engoli os sapos e continuei na minha, tendo cabeça pra pensar até mil e subir. Uma vez, a Nicoli me disse:
- Eu não suporto esse teu sangue de barata.
Acho que agora eu sei ao que ela se referia.
A D. subiu mais ou menos uma hora depois, dizendo que elas haviam feito as pazes. Pois é, tinham se acertado. Eu disse:
- D., eu tenho certeza absoluta que eu não deveria ter me metido. Eu quase faço merda por sua causa, e pra que? Vocês duas se merecem... um dia vão acabar se matando, e eu não vou mexer um dedo pra fazer nada.
Assim foi que o meu final de semana terminou. Eu só queria ir no casamento. Me aconteceu tanta coisa interessante, que eu não podia deixar passar. Acho que foram os três posts mais chatos e demorados, mas eu não podia deixar de relatar. Vim embora na segunda feira. Cheguei aqui beirando as dez da noite. Ainda sem chão e sem rumo. Mas me divertindo pra caralho.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 14:20:04

Da festa.

No sábado acordei dez da manhã, com uma puta dor de cabeça desgraçada. Estava com fome, com sede e com calor. Dourado continua, ainda, muito quente. Fui até a sala e lá estava a D., sentada na sacada, cuidando da Telefone, que é um rato minúsculo que ela comprou em um petshop por, salvo engano, dez reais. Ela o jogou dentro de uma bacia azul, com uma camiseta velha, e fica andando com aquilo pra cima e pra baixo. Me deu vontade de fumar e eu desci comprar cigarro lá no posto de gasolina que fica na esquina. Voltei e como estávamos só os dois acordados, resolvi pegar meu Vademecum e ler a Lei das Licitações. Uma meia hora depois chega a Vevê, que tá fazendo curso de assistente social e teve que ir na aldeia de uns índios fazer algo relacionado com renda familiar. Ao voltar de lá, devidamente fantasiada, com um cocar na cabeça, foi na Karla. Sentou, me pediu uns cigarros, que dei sem nenhum problema. Por volta do meio dia ela e a D. saíram e não voltaram até as quatro da tarde.Fiquei ali, estudando, até a karla acordar, por volta das duas da tarde. Acordou e foi ao banheiro. Ao sair, reclamou que não tinha papel higiênico e eu reclamei que não havia nada pra fazer de almoço. Fomos no Abevê, que fica a três quadras do apartamento. Lá chegando, fomos fazer compra, tal qual um casal feliz. Compramos o papel higiênico, lasanha da Sadia, uma erva de tereré, um suco daqueles tipo tang e quando estávamos indo em direção à ala dos hortifrutigranjeiros para comprar meia dúzia de limão para poder por na água do tereré tivemos a revelação de nossas vidas. Ali na frente, iluminada pela luz divina, sendo tomada por vozes de mil anjos, encorpadas pelo som de arpas doces e suaves que preenchiam o ambiente, uma promoção de ovo de páscoa Kinder Ovo estava sendo ofertada por leve dois e pague um, sob o custo de dezenove e noventa. Olhamos um para o outro, pensando a mesma coisa, com os olhos brilhando de contemplação pela raríssima oportunidade que nos surgiu à frente. Uma pergunta surgiu de nossas bocas também juntas, uníssona:
- O que vamos ter que deixar?
- A lasanha!, disse a Karla...
- Não, eu to morto de fome!, deixemos o suco tipo tang!
- Mas Doug, ele é só 39 centavos.
- Então deixamos a erva de tereré!
- Mas Doug, é só 1,29 centavos...
Olhei pro papel higiênico, olhei pra ela... ela me olhou a balançou a cabeça negativamente.
- Quanto você tem?
- Vinte e você?
- Meus últimos quinze.
- Beleza!, vai dar pra levar tudo, meu tio vai passar lá em casa daqui a pouco e vai me dar dinheiro.
E lá fui eu, pegar o ovo de páscoa, coisa que há anos eu não fazia, sentindo toda a sua hergonometrência, ou sabe-se lá o que isso quer dizer, todo o seu formato de ovo, o peso e o barulhinho das surpresas dentro, um barulho oco, mas ao mesmo tempo cheio, convidativo. Eu quase podia ouvir ele dizer me aaaabrraaaa, me cooooommaaaaa... hauhauahuahauhaua, credo, ovo de páscoa gay!... hauhauahuahauhau... aiai... enfim, levamos o ovo de páscoa e lá na frente do supermercado nos presenteamos mutuamente:
- Tó, Doug, feliz páscoa!
- Obrigado, Kah, te amo!, e olha o que eu comprei pra vocêê???
- Oonnn, Doug... um ovo de páscoa!...
Hahuahauhauahuahuahauhau... dois sujeitos carentes e bobos, uma semana após a páscoa, se presenteando com chocolate. Foi muito engraçado... fiquei tão feliz que trouxe até o papel do ovo pra casa!!.. Hauahauhauhauhauahua... sabe-se lá quando eu vou ganahr outro! =D...
Por volta das cinco da tarde, quando a D. já estava lá, eis que a L. liga pra ela e pede pra ir ali. A D. diz que sim e em poucos minutos ali estava a outra, na sacada. Eu e a Karla continuamos na sala, escutando radiohead, comendo chocolate, fumando e bebendo coca. Escutamos toda a conversa das duas, que se resumiu na L. pedindo pra que a D. voltasse com ela, e a D. recusando até não recusar mais, e depois uns barulhos de beijos, e depois deitadas no colchonete fininho. Tudo bem, coisa linda, o amor é mesmo maravilhoso, e eu com uma baita inveja do casal resolvi ir tomar banho e me preparar pro casamento.
O Japonês passou me buscar era 8:20 da noite. Como eu estava sem cigarro e apenas com 2 reais em moeda, pedi pra ele 1,60 pra poder comprar um. Me deu o que eu precisava, parou em uma padaria, comprei e fomos buscar a namorada dele. Feito isso, nos dirigimos pra Igreja. Foi um cerimonial bonito, eu nunca tinha ido num casamento, quer dizer, já tinha ido no do meu irmão, mas era muito pequeno, então como eu não me lembrava de nada e não tinha ido no de mais ninguém, aquela experiência foi nova pra mim. Foi entrando o noivo, os padrinhos e na hora da noiva, começou aquela música de casamento que, realmente, naquela situação é muito foda. Se eu não fosse muito macho!, arrepiava!... hauhauahuahuahau... a Paty entrou chorando, e foi tudo muito bacana. Após a falação do Diácono, fomos todos pra festa. Ah, quase ia esquecendo, a Jóósy, o Bad, a filhinha deles de um mês, coisa mais engraçadinha, e o Zé Hélio também foram e foi muito bom revê-los. Conseguimos sentar em uma mesa lá fora e mel dels, bebi e fumei demais. O Bad fez amizade com o garçon e era absolutamente incrível o fato de o meu copo não parar vazio! Eu dava duas bebericadas, tava o garçom do meu lado enchendo o que eu havia bebido. Foi tudo muito foda, tudo muito divertido. No meio eu já tava bêbado, roubei o segundo buquê da noiva, cujo qual a Paty não deixou eu levar pra casa, sentei na mesa onde o Japonês tava com a namorada dele e fiquei zuando os dois, tentando ser um pouco simpático e parecer legal, mas acho que consegui foi envergonhar um pouco o Japonês... huahauahuahua...
Eis que lá pelas três da manhã eu escuto:
- Esse é o Douglas! Olho pra trás e vejo aquele aglomerado de pessoas à minha volta:
- Olha a gravata!... contribui com a gravata, Douglas... ouvi dizer que você tem dinheiro!
Pensei fudeu, to sem um puto no meu bolso. Quando diabos eu ia saber que iam me extorquir no casamento? Eu não fazia idéia de que havia uma gravata, em todo casamento, que era cortada e que os pedaços eram entregues pra quem desse dinheiro. Se eu soubesse, tinha guardado os dois reais... pensando bem, não... não tinha guardado porra nenhuma... hauhauhauahuahau... beleza, o povo ali, em cima de mim, querendo dinheiro pra gravata e eu sem, tentando, bêbado, explicar que não tinha, e o povo pressionando, e eu me embananando, até que gritei:
- Não tenho dinheiro! Não tenho um puto no bolso! Nada, zéfini!
- Poooxa, pede emprestado!
Olhei pro lado e ninguém ofereceu.
- Ninguém vai emprestar...
- Rapaaaazz... você não vai contribuir com a lua de mel dos noivos?
Aí eu pensei e tive uma solução:
- Vou contribuir com o pós lua de mel!
Tirei dois cigarros e joguei dentro da bandeja. Eles fizeram uma cara de bah, que preto otário e foram indo embora e eu:
- Ow, quero meu pedaço da gravata!
O cara que tava cortando me deu uma olhada e tirou uma pontinha pra mim. Tá aqui comigo! =D.. hauahuahuahauah
Era quatro horas quando saí de lá, meio torto. Peguei carona com o Zé Hélio e no caminho liguei pra Karla.
- Onde você tá?
- Atrás da Happy Vídeo!
Fomos até lá. Não a vi. Deu uns dez minutos e ela apareceu.
- Karla, onde você tava?
- Numa festa, Doooug!
Bêêbada...
- Que festa?
- Ali, ó, naquele corredorzinho escuro, lá no fundo.
Só de olhar o lugar, já me senti mal.
- É festa gay?
- É...
E, então, num raro momento de lucidez, eu disse:
- Nem a pau eu entro naquela porra!...
O Zé convidou a gente pra dar umas voltas. Fomos numa zona, mas tava fechada. Depois procuramos alguma mulher na rua pra mexendo, e nada. Por fim, um barzinho pra parar e beber, mas só tinha ponta de faca. Ele nos deixou no apartamento e subimos. Os dois com fome, tive que fritar ovo pra comermos com arroz. A D. e a L. estavam dormindo na casada. De longe eu vi os primeiros raios de sol. Por não ter nada melhor pra fazer, fui dormir.

  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 00:58:01

21.04.09

Da lagoa.

Bom, como já disse, na quinta feira fui pra Dourados pra resolver alguns assuntos. Na sexta eu teria que ir na OAB ver se já havia chegado o meu Certificado de Aprovação, que é um dos outros tantos documentos necessários pra inscrição, que, finalmente, vai me dar a carteirinha de advogado. A Karla havia me dito que tinha uma amiga que gostaria que eu conhecesse, e havíamos planejado de isto ocorrer na sexta também, mas não sabíamos, até então o horário. Para o sábado, a Michelly, que havia passado por uns problemas de saúde, havia me convidado, dias atrás, para comemorarmos a minha aprovação e a melhora dela tomando cerveja lá na casa do Alex. À noite eu teria o casamento da Paty, tanto o cerimonial quanto a festa, e depois teria que esperar o Japonês vir embora, sabia-se lá quando. Ocorre que, e sempre tem um ocorre que, as coisas não aconteceram exatamente assim, e, como não poderia deixar de ser, foi tudo muito loco meu véio! Huahauahuahuahauhauahu...
Cheguei quinta à noite na Unigran, subi a pé até a casa da Karla, com uma mochila e o violão, com o cu na mão, porque o horário e a região eram deveras propícios a assaltos, fumando da maneira que podia, dando um jeito de segurar o cigarro e o violão e tragar sem soltar e afins. Uma vez lá, vi que a D. estava na sacada. A D. é uma amiga alcoólatra que eu tenho, lésbica, que conheci através da Karla, e que, há muito tempo atrás, já andava com a Evelin. Tá pode parecer um pouco confuso, mas o que importa mesmo é que ela tem um relacionamento amoroso com a L. Um relacionamento um tanto quanto conturbado, já que as duas vivem se pegando no pau. Porrada mesmo. De deixar olho roxo. Esse tipo de coisa aconteceu já dentro da casa da Karla, mas mesmo eu aconselhando-a a não deixar nem a D. ficar por lá, ela continuou deixando, tanto que quando eu cheguei, na quinta feira, lá estava ela. Não que eu não goste de D., eu gosto dela, mas ela está a maior parte do tempo bêbada e é sempre explosiva, então vivemos entrando em conflito. Certo. Eu e a Karla assistimos uns episódios do Lost, tomei tereré com a Renata, pedi a Flávia novamente em casamento, em vão, e descobri que pro outro dia estava programada uma balada vespertina, de nome “Venha Comer a Madalena”. A Karla fez um desenho com uma prostituta feia, com um monte de pedras atrás, e em cima do desenho pintou um arco-íris e pôs o nome de quem iria. Não estava o meu e eu comecei a desconfiar que, a princípio, eu não deveria estar na festa. Foda-se, pensei, e fui dormir. No outro dia acordei com um griteiro dentro do apartamento, levantei pra ver e aquilo tava lotado de lésbicas. Tinha lésbica saindo pela sacada. Tava a Ju, a Fabi, que são namoradas, a Vevê, que é a cozinheira e que fez a Madalena e o Garibaldi pra gente comer, a D., a Karla, a Sal, e o lado não homossexual da casa, eu, a Renata, a Flávia e a Carimbó. A Vevê começou a fazer o almoço 11 da manhã. E 11 da manhã eu já estava com fome. O tempo foi indo, indo, indo, quando vi já era 13:30. Pensei bom, vou na OAB, vejo se já chegou o Certificado, dou uma passada no Zé Galinha, volto e como o que sobrou. Foi o que eu fiz. Voltei pro apartamento era 14:40. Como eu havia ido a pé, tava pingando suor, e como eu havia comprado o encordamento pro violão da Renata, ela estava bastante simpática e prestativa, logo que eu cheguei ela me ofereceu cerveja. Tomei lá na sacada, fumando, pensando numa desculpa pra perguntar se tava boa a comida. Eis que a Karla chega e diz:
- Man, não tá pronto o almoço e eu to morrendo de fome!
Beleza. Continuei tomando cerveja e fumando. O mais engraçado é que devido à minha atual situação financeira, eu não contribui com nada, e ia almoçar de graça e tava bebendo de graça, filando cigarro da Karla. Eis que eu já estava um pouco bêbado, por volta das 4 da tarde, quando eu escuto:
- Eeee, tão pondo o Garibaldi no forno!
Caralho. Eu tava com fome 11 da manhã! Aquela hora, depois de andar, beber e fumar em jejum, a fome já estava em outro estágio... eu tava quase entrando em alfa. Resumindo, fui comer 5:20. Comi pouco, porque eu estava passando mal, meio tonto, de tanto que fumei bebendo. O pior é que tava muito bom. Depois disso, fui pra sacada e a Karla me apresenta a amiga, a Carimbó, que veio lá de Roraima. Ficamos conversando um tempão ali, e eu achei o sotaque dela muito massa. È um carioca mais manso, mais tranqüilo. Me contou um monte de coisa foda sobre a região, os pontos turísticos, perguntei pra ela coisas que eu sempre quis saber, sobre como são as Guianas e o Suriname... enfim, conversamos bastante e quando vi, já tava escuro. Ah, não poderia esquecer que ela faz a melhor caipirinha que eu já tomei. Incrível mesmo, não é puxassaquismo, é a mais pura verdade. Vocês (SIC) tinham que experimentar a caipirinha da Carimbó! Uuuiii... hauhauhauahua...
As meninas foram alugar filmes e depois de assistirem 3 seguidos, pediram pra Carimbó fazer mais caipirinha.
- Ahh... não gosto de espremer limão! Faço se alguém espremer.
E eu ali no canto, pensando na morte da bezerra.
- Quem vai espremer o limão?
E eu ali, fumando, quieto, olhando pro céu.
- Doug?
- Uhm...
- Vai espremer limão!
Fiquei quieto, e quem cala consente. Mas a Carimbó não levantou, entçao nem eu saí do canto.
- Anda, menino!, me disse uma das lésbicas.
- É, vamo!, me disse uma outra.
- Tudo bem...
Continuei sentado.
- É verdade, disse a primeira, você veio aqui hoooje, comeu, bebeu até não querer maaais, fumou, tudo de graça... tá na hora de fazer alguma coisa!
- É mesmo, disse a outra... essa casa tá cheio de lésbicas e só um homem... pode ir, vamo, antes que a gente te chicoteie.
Eu fiquei, com certeza, puto.
- Porra! Eu vou espremer o limão, caralho! To indo, eu não me neguei! Só não levantei ainda porque a Carimbó parece estar dormindo!
- Caaalma, não precisa ficar nervosinho.
- Não estou...
Levantamos, eu e a Carimbó, e fomos fazer a caipirinha. Ela me ensinou qual o segredo dos limões, o modo de cortar, blá blá blá, aí ficou olhando. Eu cortava uma fatia e ela vinha pegar a faca pra cortar direito. Depois a Karla veio, pegou uma barra de gelo que não cabia na jarra e não tava conseguindo quebrar.
- Vai lá quebrar, deixa que eu mexo com os limões.
Parei. Pensei e disse, com voz sexy e olhar sensual:
- Há algo no meu jeito de espremer que te incomoda?
...
...
Huahauhauahuahuahauhauahuahuahauhauahu...
Porra!, Douglas... que merda de coisa pra se dizer!
- Não, disse ela sem rir, e continuou espremendo os limões.
Na hora eu fiquei com aquela cara de mané que me é característica e fui quebrar o gelo.
Era duas da manhã quando foi todo mundo embora. Eu tava bêbado, fumando o meu enésimo cigarro na sacada, pensando sobre o que as sapatas tinham me dito. Eu, realmente, não tinha feito nada. Porra nenhuma. Comi e bebi de graça. Nas custas delas, sem nenhum pudor. Eu nem mesmo deveria estar ali. Não estava meu nome no desenho. O que é foda de imaginar é que, durante todo o tempo, elas ficaram cochichando sobre isso. E eu achando que estava sendo uma presença agradável. Não estava. Fiquei puto com elas pelo o que elas disseram, mas depois vi que eu estava errado. Me faltou discernimento pra oferecer uma parte dos meus últimos quinze reais pra, pelo menos, comprar cerveja. Não era muito, mas era uma contribuição. Elas não me deviam nada, me conheceram no dia e estavam dispostas e terem uma festa particular e não com um estranho sugando. Eu havia pensado que nada teria justificado elas jogarem aquilo na minha cara, mas depois pensei melhor e vi que foi o único modo de eu me tocar. Talvez já tivessem, a tarde toda, dando indiretas, nas quais eu não prestei atenção. O que é engraçado é que ela me falou aquilo com rancor, hauhauahuahauhau, como algo que ela já queria ter falado há horas. Foda-se. Comi, bebi, fumei de graça e fui dormir, quase amanhecendo o dia.
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16.04.09

Da fealdade.

Como prometido, e fora dos prazos que havia estabelecido, mais um post essa semana. Em decorrência de eu estar me ausentando hoje para resolver assuntos pessoais, profissionais e matrimoniais, não poderei postar amanhã nem segunda. E não, não serei eu o sortudo (SIC) que irá se casar, mas a Paty!... eeeeeeeee.... viva a Paatyyy.... hauhauahuahauhau.... ela realmente merece ser feliz, por tudo o que representa como pessoa.
Vamos direto ao ponto. A mais ou menos um mês, no dia 18 de Março, numa quarta feira fatídica, estava eu aqui, sem fazer nada, quando me ocorreu que deveria correr. Comecei e já relatei devidamente a vocês (SIC) aqui. Dia 18 agora, no dia do casamento da Paty, faria um mês e como eu havia prometido que quando completasse um mês eu diria quais foram os avanços, aqui estou eu para relata-los. Já agüento correr 3 quilômetros! Ahuhauahuahuahauahuahua... como diria o Kiko, o céu é o limite. Fudi com os meus dois joelhos, que ficam doendo a cada passada, mas foda-se, o importante é seguir em frente. Estou mais magro? Não. Ainda com pança e peitinhos. Foda-se também, não há ninguém pra ficar implicando, com exceção de mim, então vou dar tempo ao tempo. Até Julho quero ver como estarei e o quanto correrei. Somente então farei o terceiro relato. Se o fizer antes, vai ser por alguma coisa extraordinária.
Hoje, me olhando no espelho, pensei: porra, queria ser feio um dia... ser todo dia é foda... aháhá, piadinha velha... pois é, eu achei engraçada.
É isso. Hasta ao próximo post. Quando eu voltar, sabe lá deus quando (vou voltar de carona com o Japonês, e como terça é feriado e a namorada dele mora lá, vai saber quando ele volta), eu conto como foi a festa e se algo interessante se passou comigo.
Cuidem-se, crianças. Sejam felizes. Fui.
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  • Postado em 16:48:17