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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2009

24.05.09

Da continuidade.

Faz um ano hoje que comecei a escrever o “outro” “livro”. A idéia veio de um caso real que ocorreu lá em Dourados, de um serial killer de travestis. Matou mais de trinta, sendo que só em Dourados ele matou treze, sem nenhum motivo aparente, apenas não gostava de travestis, e quando foi preso disse que fazia uma limpeza no lixo da cidade, só matava quem não prestava. Foi no final do quarto ano da faculdade, eu tinha vinte e um, e estava correndo atrás de audiências pra assistir, o que se eu não tivesse feito já naquela época, o quinto ano teria sido bem mais penoso, que me deparei com a notícia de que Paulo Sérgio de Oliveira iria a Júri naquela semana. Me preparei pra assistir, mas no dia, uma passeata de travestis em frente ao fórum cancelou o julgamento. Ele, hoje, já soma mais de duzentos anos de pena, tem AIDS em estágio final e está preso na penitenciária lá de Dourados.
Sempre fiquei fascinado em histórias de serial killers. Não que eu seja um cultuador de assassino, mas eu acho muito interessante tudo o que envolve um. Exemplo: Eddie Gein desenterrou a mãe, tirou toda a pele dela e fez um casaco, tirou a vagina dela, pintou de prata e pôs debaixo da cama, dentro de uma caixa de sapato. Matou um monte de mulheres que lembravam sua mãe, mas não tinha muito interesse em se livrar direito dos corpos. A vizinhança reclamou do cheiro, a polícia foi até lá, encontrou a casa aberta, e viram uma carcaça de mulher pendurada na cozinha, sem a cabeça, sem os órgãos, que estavam fervendo numa panela de pressão. A foto dela pendurada tá nesse link  http://1.bp.blogspot.com/_S1o0p--vNHU/R2RbuAxKQTI/AAAAAAAAAPQ/df-iLkAMfd0/s400/ed_gein+gutting.gif
Eu acho isso tudo muito complexo... sei lá se é essa a palavra... no sentido psicológico da coisa. Por que diabos o cara tirou a vagina e pintou de prata e depois guardou debaixo da cama?
Enfim... Tem várias outras histórias, tão bizarras quanto, e que me deixam perplexo e curioso.
Foi que surgiu a história do matador de travestis e eu comecei a imaginar porque diabos ele fazia o que fazia. Fui ouvindo histórias aqui, ali, sobre como ele matava, sobre o fato de ele contar pra todo mundo, sobre como ele foi pego e etc., e achei que valeria a pena tentar escrever alguma coisa.
Eu nunca quis escrever exatamente essa história. Troquei o nome do personagem, troquei as situações, mesmo porque, todos os ensaios (dois, na verdade) que eu fiz sobre como ele pensa, como se sente e como se comporta com as situações, são invenções minhas. Eu não faço idéia do que ele pensava ou sentia. Nunca conversei com ele. Nunca nem vi uma foto. Nada. E isso, como vou falar mais pra frente, vai ser onde o “livro” vai, também, desmoronar.
Eu não sei nada sobre ele porque não teria como saber. O cara tá preso, pra começar. Eu não faço nem idéia se seria possível manter conversas com ele, tipo visitas, tal qual aparecem em filmes americanos. Imagina eu chegando no presídio e pedindo pra falar com ele. Aí, na sala de visitas, eu aviso que vou escrever um livro sobre ele, que com certeza não vai pintar nada bonito sobre sua pessoa. Ele, como forma de agradecimento, se abriria pra mim. Bah... hauhauhauahuahau
Não, isso nunca ia acontecer. Mas então o que, Douglas? Então que eu decidi criar todos os sentimentos, angústias, ansiedades e bla bla bla pro personagem, sem saber no que daria tudo aquilo junto. O que quero dizer, é: eu tentei dar... como dizer... forma... à... sei lá... psique do assassino. Hahuahauhauahuahua.... muito provavelmente devo estar me embananando na explicação, confundindo coisas, trocando palavras... mas o que quero dizer mesmo é que tentei explicar o que ele pensa.
Isso tem sido excruciante. Tem me deixado bastante deprimido, até, não porque me sinto extremamente mal com a pessoa que ele é, mas pelo fato de estar sentindo que todo o esforço tem sido em vão. Exemplo: eu escrevi setes páginas sobre como ele se sentia em relação a várias coisas e como lidava com elas. Beleza. Li, reli, e gostei. Ficou bom, Douglas. Tá. E se não ficou? Agora, escrevendo aqui, eu vejo que pode ter ficado superficial feito nata no leite. Tão profundo quando um cuspe no chão. Talvez, a razão pela qual eu estar escrevendo o livro, que é a de tentar ‘entrar’ na cabeça dele, fiquei tão ruim e tão fraca, que não valerá a pena ler o resto, que é encheção de lingüiça.
É aí que ele vai desmoronar, assim como o Lisura. Fui dar uma lida nele esses dias e achei péssimo, mal escrito, com diálogos fracos, forçados, situações ruins e etc. mandei pra uma professora minha de literatura no dia 18 de Março (sim, o mesmo dia que eu comecei a correr e... esquece) e ela me disse que não tem tempo nenhum, mas que daria uma lida e me mandaria uma resposta. Faz dois meses e nada. Estou com vergonha por ter mandado, mas já mandei, então o que me resta é ficar de boa. Já considero que se ela mandar alguma coisa, já é lucro. Nem que seja um: filho, uma dica pra você... tenta achar outra coisa pra você fazer... sei lá... tricô... ou pintura... não que seu livro esteja ruuuuimmm... mas... enfim... bjos.
... hauhauahuahauahuahua.... fazer o que?
Na madrugada de quinta pra sexta terminei um capítulo e agora estou empacado em outro. Tá incrivelmente difícil continuar. Dar continuidade à história vai me deixar ainda pior. Mas se não é isso, é o que? O que me sobra?
Assisti um filme fodástico na sexta feira: O Lutador, o novo do Darrem Aronofski (Pi, Réquiem para um Sonho, A Fonte da Vida). Tem uma lição de vida tão fudida e triste, que... sei lá... acho que me sinto exatamente como ele, antes de dar o último salto: sem ninguém.
Post comemorativo. 70 páginas de um livro sobre um homossexual matador de travestis... hauhauahuahauahuaha...
Foda vai ser achar um que vai ter saco pra ler tudo e poder me dizer porque, exatamente, o conjunto todo ficou uma merda. =)
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 15:17:54

20.05.09

Da falta.

Meu final de semana foi bacana. Na sexta feira fui até Dourados, pois no sábado eu iria com a Karla e a Carimbó pra fazenda. Fomos até lá e eu enchi demais o saco da Carimbó, pedindo ela em casamento e todas aquelas coisas sem graça que eu costumo fazer apenas por preguiça de ficar quieto.
Lá na fazenda tem um quarto, no qual a Karla dorme, que dizem ser assombrado. Há quase um mês, a Karla foi pra lá e levou junto a Renata. Dizem as duas que viveram experiências extrasensoriais (sei lá se isso tem algo a ver com alguma coisa, mas sempre quis escrever que alguém teve experiência extrasensorial aqui neste blog) interessantes, tais quais a Rê ter visto um homem estranho com roupas antigas sentado de pernas cruzadas no sofá da sala e a Karla sentir, no meio da noite, dedinhos passeando pela sua perna. Por ser um sujeito compreensível (lê-se “bobo”) eu não duvido de nada até que me provem o contrário. Se me disserem que há espíritos em um quarto, eu acredito, até que me provem que não tem nada. Pois bem, fui lá eu dormir no tal quarto. Dentro dele há duas camas, sendo uma de casal e outra de solteiro. A Carimbó foi na de solteiro e eu e a Karla fomos na de casal. Eu, por estar com muito sono, capotei assim que deitei. Eis que do nada, eu acordo e não vejo ninguém no quarto. Nenhuma das duas. Achei estranho e fiquei parado, olhando o escuro por um bom tempo, até que a Carimbó abre a porta e acende a luz.
- Doug, a Kah tá com medo de dormir aqui. Diz ela que tava até suando de medo.
Detalhe: tava frio pra caralho.
- Não é possível, disse eu.
Nisso, aparece a Karla com cara de assutada na porta.
- É verdade, Doug, disse ela, não to conseguindo dormir... esse quarto tá pesado... tá me faltando até o ar...
- Você vai dormir onde, Carimbó?, perguntei eu.
- Ah, sei lá, disse ela.
- Bom, eu vou dormir aqui mesmo, e me ajeitei na cama, me cobrindo.
A Karla deu boa noite, a Carimbó se ajeitou na cama de solteiro do lado e dormimos. Não vi nem senti nada de anormal.  Às onze da manhã do outro dia, o pai da Karla veio nos acordar. Abri o olhos e vi a Carimbó deitada. Pensei: barbaridade, que saudade daquela guria. Senti uma saudade a tal ponto de levantar na loca, com o cobertor em mãos e me jogar em cima dela, meio que tentando sei lá.... "reviver" algo que eu tinha feito.... tentar matar a saudade de brincar com alguém depois que se acorda... sei lá... algo nesse aspecto que, hoje eu vejo, ser totalmente fora de comum e até mesmo bastante estranho. Eis que sinto algo molhado no meu dedo indicador e um ai meu olho da parte dela. Sim, na loca, na correria, quando eu deitei em cima dela com o cobertor, eu enfiei o dedo no olho dela. Na hora, eu já desanimei. Pensei nãããããão, preto, você não enfiou o dedo no olho dela. Então perguntei:
- Enfiei o dedo no seu olho?
- Enfiou!
- Tá doendo?
- Um pouco!
Já fui saindo de cima, sem graça. A saudade não me largou o dia todo. Assim que saí do quarto, a tia mãe da Karla (que tá grávida, eu sei, mesmo que ela diga que não) me convidou pra tomar cerveja. Eu, em jejum, comecei a tomar. Bebi e fumei feito um porquinho galês. O dia todo. Sem cessar. Bebendo e fumando. Quando chegamos em Dourados, continuei bebendo e fumando. Fomos dormir cedo, porque o outro dia seria cheio, pois a Verusca ia fazer uma festa surpresa pra Salmória. Pra não contar tudo nos mínimos detalhes, o que seria chato, basta resumir assim: as meninas foram na puta que pariu pegar um carrinho de picolé, cuja estampa era um grui feio pra caralho, que elas alugaram; eu subi e desci os oito lances de escadas do prédio mais de vinte vezes; a Verusca ficou mais louca que o bozo; no fim da festa, eu parei pra contar e havia mais de dez homossexuais ao meu redor. Na segunda feira, eu acordei bebendo e fumando novamente. O que fiz, logo que saí do banheiro, foi acender um cigarro e pegar uma cerveja. Estava me sentindo bastante triste e sem perspectivas. Na segunda feira, eu bebi demais. Mais do que domingo. Muito. Desde que acordei, até o horário em que tive que ir à Unigran, dez e quinze da noite, pra pegar o busão. Bebi muito. O mais incrível é que não fiquei bêbado. Acho que pelo fato de estar cozido desde Domingo, ou por ter começado bem cedo, e ter bebido aos poucos durante o dia todo, eu não fiquei mal, apenas me deu sono logo que escureceu. Quando as amigas da Karla foram todas embora, as amigas da Flávia chegaram. Ficaram fazendo a festinha delas, regada a batidinha e caipirinha. Bebi um pouco dos dois, o que me embrulhou o estômago, mas não me fez vomitar. Elas tiraram mil fotos na mesma pose, fazendo os mesmo sorrisinhos de patizinhas felizes. Elas programavam a máquina, se ajeitavam numa posição e ficavam sorrindo falsamente por uns dez segundos até sair o flash. Foi numa dessas que eu entrei no meio, só pra zuar. A foto tá ali embaixo. Pra estrear a primeira imagem aqui do blog. Não que vá ser uma constante daqui pra frente, mas eu gostei dela, então resolvi colocar. Amanhã começo a tomar um remédio forte, 1 comprimido de doze em doze horas, durante sete dias, então não poderei beber. Me sinto triste ainda. Isso sim é uma constante! =D... hauhauahuahuaha... de resto, nada mais.
Post chato, sem graça e sem sal.
Até o próximo.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 02:08:58

19.05.09

Da passagem.

Pequeno conto que escrevi faz um tempo. Eu gosto dele... acho engraçado...

"se fudeu."

É um pouco inacreditável, eu assumo. Porque na verdade, eu não creio ter levado mais do que dois segundos para estar no chão, e toda vez que conto ninguém acredita e todo mundo, sem nenhuma exceção, ri. Até mesmo meu irmão autista ri. E, rindo, quando chego numa roda e tem alguém que eu não conheço, meus amigos pedem para que eu conte. E eu conto, sem nenhum problema, porque eu sei o que vi. E começo sempre da mesma forma:
Eu tava indo de bicicleta, tranquilão, pela mão, lá pelas quatro da tarde. Beleza. Sabe aquela via dupla ali, indo daqui pra lá, uma antes da Presidente Vargas? Então. Eu tava distraído, e passei a primeira rua ultrapassando um Corsa pela esquerda, e como ele tava indo devagar, foi me dando cobertura, e eu não vi que na outra rua vinha uma caminhonete, muito rápido, sem noção. E do nada o Corsa freia e eu continuo, e quando vejo ta a frente da caminhonete em cima de mim. Eu não senti nada. Apenas voei, pro sentido em que ela me bateu, e vi minha queda em câmera lenta. Primeiro foi meu boné passando bem na minha frente, girando vagarosamente. E eu deitando, aos poucos também, e do nada minha bicicleta, toda fudida passando um pouco acima. E eu olhava tudo na moral, ta ligado? Na moral mesmo, só que as coisas estavam em câmera lenta! E eu fui indo, flutuando, dei uma volta no ar, e vi a caminhonete continuar a passar, e vi a cara feia do motorista, cara de assustado. Fui girando, e girando, e do nada vi um fada verde. Sabe a sininho do Peter Pan? É sério, cara. Eu vi! Era verde! Bem na minha frente. Só que ela estava numa velocidade normal. Voando na frente da minha cara. Fazendo uns barulhinhos de sino mesmo, blim blim blim, e voando. E fui girando, vagarosamente, e a dona do corsa também com uma cara feia. Minha bicicleta subindo ainda. Meu boné descendo. Meu celular passando rente ao meu nariz. Ainda pude a ver que a bateria tava na metade. Sabe? E o chão começou a se aproximar e eu comecei a me preocupar com a forma que eu ia cair. Era certeza que eu ia morrer. E então senti falta. Mas pensei “sentir falta do que? De quem?” Não sei. O que eu posso afirmar é que se houvesse alguém importante para mim eu teria sentido falta dela naquele momento. Vou morrer, foi o que pensei. E o meio fio foi se aproximando, e eu me cagando, e a bicicleta descendo, e meu celular acompanhando, sininho voando, boné não vi mais, a caminhonete continuando, a cara feia da mulher do Corsa aumentando, e o chão aproximando. Então vi Deus. Encostado naquele muro da clínica, sabe? Encostado, de braços cruzados, com um pé apoiado na parede, rindo. E o que foi que ele te disse? Se fudeu.

ainda hoje, ou talvez não, eu escrevo sobre meu final de semana. =)

  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 16:10:17

12.05.09

Da falta de jeito.

Eu não tenho jeito pras coisas. Me falta, como eu já disse por aqui, em algum post, aquilo que eu convencionei chamar de inteligência funcional. Eu não sou ligeiro pras coisas. Não consigo raciocinar rápido, quando a situação exige. Não conseguiria mentir espontaneamente caso fosse necessário. Acho que nem se eu precisasse mentir e soubesse com antecedência, eu conseguiria ser convincente. Sempre achei que essa minha “sinceridade” fosse uma virtude. Disse a todo mundo que me conhece um pouco melhor: é só me perguntar, que eu digo.
Dias atrás, exatamente há uma semana, eu tive que ir a Campo Grande pra pegar uns documentos no fórum e outro na OAB pra juntar com os outros, e também tirar a foto pra por na carteirinha. Pus o terno, uma camisa vermelho vinho, uma gravata escura e fui. Saí aqui em Ponta Porã às 6:40h, cheguei em dourados 8:20h, por causa da neblina e às 9:00h eu fui com o Eduardo pra casa dele, em Rio Brilhante. A minha idéia era ir direto em Campo Grande, agilizar tudo o mais rápido possível, voltar e pegar o ônibus dos estudantes que leva os acadêmicos de Rio Brilhante a Dourados, passar a noite lá e toda a terça feira, vindo embora à noite, chegando aqui, de volta, de madrugada. Ocorre que não foi assim. O Eduardo quis almoçar na casa dele e eu não pude dizer nada, apenas fui. Ele é filho de médico e a casa é imensa. O sistema no qual eles vivem é de gente rica, tudo muito frio. Quando eu pus o pé lá, uma Pincher Zero começou a latir e não parou até o momento em que fui embora. Latia estridentemente e mordia meu calcanhar assim que eu virava as costas. Quase dei uma bicuda nela. Ainda bem que não dei, porque assim que a mãe do Eduardo chegou, eu vi que ela tratava a porra da cadela melhor que os próprios filhos. Sentei pra comer ao lado do pai dele. Como era segunda e o Corinthians havia acabado de ganhar o Paulista, eles estavam fazendo farra do timão, por serem todos, sem exceção, palmeirenses. Falando que o Ronaldo é gordo, que vai embora cedo, que o Corinthians se contenta com migalha, e eu ali, comendo e escutando. Eis que o irmão do Eduardo, mais velho que ele, pergunta se iam fazer churrasco na terça, quando o palmeiras jogaria com o Sport.
- Claro, filho, disse o pai deles.
Foi nesse momento que eu achei que poderia dizer alguma coisa. Falar algo. Zuar o palmeiras. Me vingar pelo Timão, mano.
- De quem o palmeiras perde amanha? (Até então eu não sabia que jogaria com o Sport).
Todo mundo ficou quieto. Uns segundos depois, o pai dele disse:
- As vezes, quando estamos na casa de estranhos, temos que cuidar o que falamos, pra não ofender o dono da casa.
Eu dei uma risadinha do tipo, ahááá, boa piada, tio... Ninguém mais riu. Todo mundo abaixou a cabeça e continuou comendo. Eu fui desfazendo a cara de faceiro pra fazer uma cara de cu, com uma vergonha gigantesca, quase que do tamanho do mundo. Tinha perdido a fome. Queria sair correndo e gritando. Ele realmente se ofendeu com o comentário. E nem foi um comentário ruim. Foi uma brincadeirinha light. Tranqüila. De buenas, como eu digo. Mas não. Eu ofendi e fiquei sem jeito. Nem pedir desculpas eu pedi, pra não deixar a situação ainda mais constrangedora. Foi como se eu aceitasse a reação. Sempre fui assim. Se faço merda, acho justo sofrer as conseqüências. Essa é outra coisa que eu sempre considerei uma virtude. De novo, eu estava errado.
Fomos a Campo Grande, fizemos tudo o que tínhamos que fazer ( a minha foto ficou boa, com photoshop e tudo mais! Hauhauahuahuahauha... se bem que não precisava, mas... ... hauhauahuahua... enfim...) e quando voltamos, já beirava as nove da noite e eu tive que dormir na casa do Eduardo, aguentando a porra daquele cachorro. Eu não estava mais com vergonha. Por dentro, eu estava rindo. Ofendi o palmeirense, pensava eu. Dormi lá e no outro dia eu consegui uma carona com o irmão do Eduardo até Dourados. Antes de sairmos, eu peguei uma xícara de café. Bem na hora, o pai dele entrou com pão e mortadela. Ele deu bom dia, eu respondi e o Eduardo me ofereceu um pão. Aceitei, porque tava varado de fome. Cortei o dito cujo e fui abrir o invólucro da mortadela. Sabe aquelas que vem numa bandejinha de izopor, enrolado com papel Celofane, que é praticamente impossível abrir sem rasgar? Então. Era desse tipo. Eu, já cabreiro com o tio, fui tentar abrir certinho. Não consegui. Pensei em perguntar pro Eduardo se podia rasgar, mas decidi rasgar de uma vez. Acontece que, e eu não sei se vou conseguir descrever isso, as fatias foram postas uma em cima da outra, fazendo uma escadinha. Eu rasguei do lado onde dava apenas para pegar do... como dizer, do primeiro degrau em diante... (????)... Foi o que fiz. Grudei o dedão na primeira mortadela, a que estava debaixo de todas as outras e fui puxá-la, em vão. Como mortadela tem aquele sebinho, ela estava grudada nas demais. Comecei a puxar e não saía. Puxei mais forte e nada. Nesse momento, os três já me olhavam: o Eduardo, o pai e o irmão. Já fiquei puto. Peguei a faca e fui ‘descolando’ ela das demais. Mesmo assim, não saiu.
- Mas você é ruim de serviço, heim velho?, disse o Eduardo indignado.
Prestem (SIC) atenção. O que eu pensei foi o seguinte: putz, peguei a mortadela no lugar errado, mas eu já pus a mão nela. Já meti os dedões. Eu não posso simplesmente pegar outra. É falta de educação. Eles vão ficar com nojo, achar que eu sou porco. E foi por isso que eu insisti naquela fatia. Essa é uma outra coisa quee u sempre achei que fosse uma virtude, a de tentar sempre ser o mais educado possível em relação às pessoas. Nesse momento, deve ter alguém chiando, rindo, sei lá, dizendo que eu não sou nenhum pouco educado. Tá bom ,Day... não que eu seja a flor da educação, mas quando se trata de pais e mães de amigos, eu tento ser o melhor que posso. É por isso que limpei o banco pra sua mãe aquele dia no Hospital. Enfim... consegui, depois de muito tempo, tirar a fatia da mortadela. Aquela que eu havia posto a mão. Foi uma vitória pessoal.
Eu e minhas pseudo-virtudes.
Sabe o que é mais foda? Eu não acredito que as pessoas mudem. Ninguém muda, foi o que eu sempre disse. Ninguém muda. Acho que, infelizmente, eu nunca vou ter inteligência funcional. Ser rápido com as coisas. Ter esse tipo de sagacidade. Ter esse “jogo de cintura”, como me disseram dias atrás. Infelizmente, vou continuar assim... =/
Não é questão de não querer ser diferente. È questão de só conseguir raciocinar o que eu deveria ter feito na hora tempos depois do ocorrido. Não sei se há treino pra isso, é esse o ponto.
Fui a Dourados depois, fiquei o dia todo lá, marquei, de novo, outro encontro com a Michelly, mas sobre isso eu falo mais em outro post, e voltei pra casa.
Era pra eu escrever aqui sobre as meninas pelas quais eu já me apaixonei, relacionando o fato de nunca ter dado certo exatamente por causa dessa minha falta de jeito. Talvez eu escreva amanhã. Talvez não.
Hasta.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 00:49:41