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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2009

12.06.09

Da data inventada.

Pois é. Mais um 12 de Junho.

Pra começar, uma frase do Joel Barish, personagem do Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças: o dia dos namorados é uma data inventada pelos fabricantes de cartões pra fazer as pessoas se sentirem miseráveis. 

É um bom filme. Na verdade, é um filme excelente. Um dos melhores que trata de relacionamentos. Entre eles está De Olhos Bem Fechados, do Kubrick, O Novo Mundo, do Malick, Amor à Flor da Pele e 2046 do Wong Kar Wai e Com Amor, Lisa, que eu não sei de quem é. Eu assisti o Brilho Eterno há algum tempo já, tenho aqui na minha coleção e de vez em quando assisto de novo. Simplesmente não me canso. Se puderem assistir, assistam. Parece difícil de entender, mas é bem facinho. Ele só não segue uma linha banal de desenvolvimento. Tudo se encaixa no final e nos passa uma lição fudidaça sobre o que é realmente importante.

Sabe o que é pior no dia dos namorados? É que tudo te faz se sentir um lixo. Você vê em todos os lugares, em todos os canais, em tudo quanto é buraco, as propagandas para casais apaixonados, dizendo assim: de um presente para alguém especial. Porra! Você olha e se pergunta: então eu não sou especial?

Hahuahuahuahauhauahua... não, Douglas, com certeza não. Enfim...

Sabe o que é realmente ruim no dias dos namorados? É que todo mundo fode, menos você.

Sabe o que é ruim no dia dos namorados? É que te dá uma inveja filha da puta de todo mundo que namora.

O dia dos namorados está pra mim assim como o Natal está pra criança pobre. Tá, essa foi pesada.

Foda-se.

Dia dos namorados pra mim é o mesmo que ir no shopping china sem dinheiro. O que te resta é admirar o carrinho dos outros. Tá, e essa foi tosca. Confesso.

Na verdade, sinceramente, dia dos namorados é uma coisa tão boa, mas tão boa, que, como sempre ocorre, nunca me deixaram participar. Bah, Douglas... essa foi totalmente sem graça. Tá, mas foi bonitinha... vão ficar com dó de mim... Não, Douglas... não vão sentir nada. Foda-se.

O Dia dos namorados é como almoço de domingo, nunca tem feijão.

Hahuahuahauhauahuahuahauahuahuahauha..... cala boooooca Douglas!

Sabe qual a coisa mais triste de se fazer no dia dos namorados? Entrar no bate papo e perguntar oi, quer tc?

Sabe o que é mais triste que isso? Fingir que a felicidade dos outros não te afeta. Porra, Douglas, era pra continuar a ser engraçado. E estava sendo? È... não, na verdade não.

Dia dos namorados serve pra que, afinal? Pros namorados celebrarem o namoro, oras! Grandes coisas! Celebro minha solteirice o ano todo... Uhuuulll!!!!...

Hahuahauhauhauahuahauhua... admitam... essa foi boa...

Não, Douglas. Tá.

Dia dos namorados é igual a laxante. Entra sólido e sai líquido.

Não entendi. O que entra?

Saiba que tem laxante líquido também... só pra dizer mesmo...

Tá. Essa eu vou copiar do orkut. O que você prefere? Dia dos namorados ou sexo? Eu prefiro sexo... dia dos namorados tem todo ano...

Dia dos namorados é igual truco. Só se aproveita se tiver parceiro. Hahuahuahauhauhauahuahauhau.... meu deus! Essa foi a pior!

Por que diabos tem que existir um dia dos namorados? Pra vender cartões, Douglas. Ah é.

É... acho que é isso.

Eu ia discorrer aqui um parágrafo sobre o que é namorar, e transcrever uma passagem que eu havia escrito pra parte do Marcelo no Lisura, mas que tive que apagar porque o conjunto todo tinha ficado uma merda. É sobre pessoas certas umas para as outras, mas acho que não cabe mais.

A quem namora, feliz dia dos namorados.

Hasta.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 00:37:27

08.06.09

Da ida a CG, parte três - A Re-volta da Acédia.

Eis que o Zé Galinha me liga no sábado à tarde, no intervalo do jogo do Brasil e me diz:
- Velhinho?
- Fala Zé...
- Sabe a ação lá?
- Sim?
- Larga mão... a mulher voltou aqui no escritório depois e disse que vai procurar a Defensoria. Já mandei ela tomar no cu e foda-se... vamos ganhar dinheiro com outra coisa.
Pra mim não foi fácil receber a notícia.

Já volto na continuação da frase. Primeiro, quero discorrer aqui sobre algumas coisas. Primeiramente, falar sobre a minha disposição quando criei o blog. Queria, como já disse aqui uma ou duas vezes, relatar o que se passa comigo e tirar de tudo isso uma lição que eu aprendi. Como se fosse um relato do meu aprendizado como pessoa e etc. Isso demonstra muita prepotência. =/...
O foda é que eu me acho mesmo. Tipo... durante toda a vida eu acreditei que as coisas que eu fazia eram melhores que a dos outros. Não eram. Eu também já cheguei à mesma conclusão aqui em outro post. O que é ainda mais foda é que eu detesto que me considerem prepotente. Evito ao máximo não ser, o que me leva a estar me depreciando o tempo todo. O tempo todo acreditando que o que eu faço não é bom, nunca é o suficiente. De que as minha conclusões são tão ruins, que não devem ser tidas como lição pra ninguém. Mas pensando bem, não foi pra isso que eu comecei a escrever no blog? Conseguem perceber o quanto eu acabo me contradizendo e sendo prepotente sem perceber? Parece que eu quero ser um sujeito tão mais vivido e experiente a ponto de poder dizer a vocês que isso é certo e isso é errado.
Enfim, não é isso o que eu quero. Ultimamente eu não tenho passado nenhuma lição que aprendi, apenas tenho relatado as situações que ocorrem comigo e que sempre tem algo de muito bizarro. Sei lá se vocês acham que muita coisa é mentira, mas acabam sendo os textos que todos, leia-se os poucos que lêem, gostam. Todas as vezes nas quais eu tento ser um pouco mais introspectivo e relatar uma situação com um pouco mais de descrição de como me senti e de como aquilo me afetou, acaba sendo algo vazio e sem graça. Esses são os piores. Então, a intenção primeira, a de passar exatamente isso, acaba sendo o ponto mais fraco e cansativo do blog. Parece que a cada post, é esperada outra situação engraçada, na qual eu me fudi e etc. Não, minha vida não é assim tão incrivelmente extraordinária.
E o que se tornou, então, o blog? Uma série de relatos sobre vergonha alheia? Não sei dizer, na verdade. Mesmo porque, continuo insistindo em fazer textos mais reflexivos, e por favor, não entendam isso como palavras prepotentes de alguém que se julga capaz de escrever textos reflexivos, mas entendam como palavras de alguém que tenta escrever o que sente em relação ao que vive. Mas qual a diferença? Pela enésima vez, a diferença é que eu não considero os meus textos reflexivos fodásticos, cuja capacidade seja de transformar a vida de quem lê ou levar alguém às lágrimas. Minhas reflexões são sempre melancólicas e cheias de falta de consciência. Por muitas vezes eu não enxergo a própria culpa. Prefiro jogar nos outros ou omiti-las.
Sinceramente, também não sei porque continuo fazendo isso. Se só duas ou três pessoas lêem e consideram o propósito do blog um exercício de prepotência que não passa de algo vazio e sem graça, qual é o motivo que te faz continuar com isso? Como já disse, não sei. Mesmo que ninguém lesse, eu continuaria. Com esperança de que lessem algum dia? Sim. Mas porque? Pra me sentir um pouco mais útil. Acho que é isso, afinal. Útil não no aspecto de ter uma importância social, mas de ter pessoas que te acompanham naquilo que você se predispôs a fazer e que esperam pelo novo.
No sábado à tarde, depois do meio dia, meu pai chegou com uns negócios que tinha comprado no shopping china. Ente eles, um medidor de pressão digital. Eu fui testar, porque estava preocupado com a minha, já que tenho comido azeitona pra caralho ultimamente e por ser salgada, eu estaria possivelmente com a pressão alta. É um aparelho que você põe no pulso, levanta até a altura do coração e aperta start. Depois de um tempo ele estufa, apertando teu pulso e apita, indicando os resultados. Pressão 12/8, com batimentos cardíacos em 82. Mediu o de todo mundo, inclusive o do meu irmão, que indicou 13/9. Meu pai olhou e disse:
- É compreensível... você vê o que o stress faz com a pressão... a sua está alta porque trabalha, atendendo o povo... o Douglas, por exemplo... a dele tá normal porque não faz nada!
Disse e todo mundo riu. Eu ri sem graça, mas pensei na ação de alimentos que eu tinha pra fazer e na minha primeira audiência que iria ter que enfrentar, daqui um mês mais ou menos.
Então, voltando à frase, no intervalo do jogo, o Zé me liga e me dá a notícia de que eu não tinha mais que fazê-la. Não recebi bem a notícia. Era o que eu tinha. Estava feliz porque era algo no qual estava me apoiando como um recomeço, uma mudança, um inicio de responsabilidade e fonte de dinheiro, meu dinheiro, que eu ganharia.
Semana passada, meus pais compraram um tapete bem bonito pra por na sala. Bem grande, deixando o ambiente todo bastante unido, dando um toque bem massa pro conjunto todo, bastante macio. Eu adorei o tapete. Sempre disse que eu teria um tapete na minha casa, que ficaria na sala e que eu cuidaria como um louco. A minha fantasiosa sala, com quadros e uma televisão gigante, sofás confortáveis, um bar gramde, onde ficaria o dia todo e o tapete. Enfim, eles compraram o tapete pra sala deles e eu passei a cuidar. Não deixei ninguém pisar nele com calçado. Quem chegava, eu mandava tirar o sapato. Me chamaram de chato, incomodativo, a minha irmã me mandou ficar quieto e não tirou, eu quis ficar puto, mas meus pais riram e disseram pra entrar, que eu é quem estava dando uma de bobo. Tá, concordo que eu estava sendo chato, mas eu tomei o fato de cuidar do tapete como algo que eu tinha que fazer, como uma obrigação, como uma tarefa. No sábado, já sem ânimo pra nada, depois de ter dado uma volta com o Marcel e o Nehme, voltei e fui assistir um filme. Peguei um copo de coca, deitei no sofá, dispus o copo no chão e fiquei assistindo. Lá pela metade do filme me deu vontade de fumar e eu fui. Fiquei fumando, pensando, bastante triste com tudo. Quando o cigarro acabou, o joguei e voltei. Não quis ligar a luz, então fui entrando lentamente, indo em direção ao sofá. Senti algo batendo no meu pé, o barulho do copo caindo no macio. Lembrei da coca. Lembrei do tapete. Liguei a luz rapidamente e vi que lá estava a poça, bem no meio do dito cujo. Me desesperei. Tirei a camiseta e fiquei tentando secar o excesso. Em vão. Fiquei incrivelmente puto comigo mesmo, me xingando em voz alta. Quando percebi que não tinha mais o que fazer, continuei vendo o filme. Sete Vidas, com o Wil Smith. Gostei bastante. Até recomendo. Mesmo.
No meio da semana passada, fiquei sabendo da história do menino, gaúcho, de 16 anos que havia, após incentivo de uma comunidade no orkut, se matado usando gás. Depois, o pai dele achou no computador um monte de músicas que ele havia composto, gravadas de modo quase profissional, com sobreposição de instrumentos, inclusive de voz, que por sinal, era bastante boa. Uma gravadora do Rio Grande do Sul resolveu lançar um CD com as músicas. Pegou trinta duas e lançou. Agora, um selo de uma grande gravadora de Nova York, resolveu lançar todas, mais de sessenta. Os críticos de lá dizem que o garoto é um achado, que tem extrema qualidade. A história dele mexeu bastante comigo, de um modo estranho. Lançariam o CD dele se ele não tivesse se matado? Ele teria feito tantas músicas se não sofresse pra caralho? Ele é realmente bom, e eu acho que seja, ou o fato de ele ter se matado faz com que exista uma aura de excentricidade e confusão que não permite que se veja além? Eu teria gostado das músicas ou, por inveja, o teria chamado de emo? Passei pensando sobre isso durante um par de dias. Hoje, eu já tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas não vou falar sobre isso aqui.
A semana toda não tinha sido boa, afinal. Estou em um ciclo irritante de tentativa de recomeços que não me fazem melhor, porque, por absoluta falta de vontade, nunca dão certo. A culpa disso não é de ninguém, vejam bem, é minha. Se hoje eu estou assim, é porque a culpa é minha. Ninguém pode me mudar por mim. Ninguém me deve nada a ponto de se sacrificar pra me ajudar. Nem quero que isso aconteça. Foi que, sábado, com uma melancolia filha da puta, após assistir ao filme, que tem um final que a mim fez todo o sentido, com o tapete manchado, sem nenhuma sustentação, sem ninguém, depois das três da manhã, vim aqui no computador e tinha cinco contatos online. Inclusive a Karla. Falei com todos, mesmo não falando com os outros quatro há anos, pra ver se me respondiam. Ninguém respondeu. Naquele horário, num sábado, ou já estavam dormindo, ou estavam festando, mas têm o hábito de deixar o computador ligado. Ninguém respondeu e me deu um desespero do inferno. Fui lá fora fumar. Estava tremendo, fumando compulsivamente, com a cabeça girando a mil... hoje, relatando aqui, sinto vergonha, mas senti vontade de morrer. Voltei e me tranquei no banheiro. Sentei no vaso e fiquei muito tempo pensando bobeiras, que não falo aqui por serem infantis demais. Sentia repulsa de me ver no espelho. Pensei em tanta coisa, que até me perdia. Tudo vinha de modo amplificado. Passei a sentir tudo com mais força. Fiquei triste pra caralho, sem poder falar com ninguém. Não foi algo que me deu vontade de chorar. Eu, sinceramente, não me considerei um coitadinho. Isso foi o mais estranho. Talvez pelo fato de ter sempre detestado parecer o coitadinho, acabei não me sentindo assim. Levantei, lavei o rosto e voltei a fumar. Era cinco e pouco da manhã, estava frio pra caralho. Quando voltei, deitei e dormi.
Acho que foi a única vez, dentre todas as outras lá em Dourados, que eu me senti triste a ponto de ter atitudes suicidas. Isso é tão nojento, tão repulsivo e infantil, que eu falo apenas pra chegar a ponto de dizer que já passou. Sei lá se me entendem, mas acredito que não falaria disso aqui se não tivesse superado. Sei lá... realmente, não sei.
O Domingo não foi muito melhor, mas eu estava mais tranqüilo. Ainda bastante triste e sem vontades, mas no nível normal de sempre. À noite fui na festa junina da Mappe ver o Nehme dançar quadrilha, conversei, ri, zuei, depois voltei pra casa. Entrei no MSN e não tinha nada. Ninguém havia respondido o que eu tinha dito na madrugada anterior. Sem me achar o coitadinho, eu ri e disse foda-se, escrevendo aqui no blog. A parte dois da ida a Campo Grande. Acho que a mais engraçada delas.
O que eu quero passar com esse post, é que eu passei por dias estranhos e deveras sinuosos. Mas to tranqüilo. Como sempre.
De resto, como sempre faço, ao próximo post. Devo escrever algo no dia dos namorados.

Ou não!

Hahuahuahauhauhauahua....
=D
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 19:10:03

Da ida a Campo Grande, parte dois - Missão Moscow.

Enfim, chegamos lá e tinha um povo de terno esperando. Fomos até o balcão e perguntamos com quem teríamos que falar pra fazermos a cerimônia. Nos encaminharam pra uma sala, onde teríamos que assinar as Certidões com os devidos números. O Alex, como ainda não tinha pego o Certificado de Aprovação na Ordem, teve que ir na sala ao lado pegar, e eu fiquei sozinho lá na outra, assinando. Eis que a Priscila, a moça que, muito pacientemente, me atendeu todos os dias pelo telefone, veio perto de mim e disse:
- Doutor, esse é o Juramento que vocês terão que fazer. Você vai ler em voz alta e todos vão repetir.
Sim. Sobrou pra mim ter que ler o juramento em voz alta. Isso pode parecer mentira, ou coisa do tipo, mas não é. Não podia ser diferente. Eu tinha que fazer o juramento, ler em voz alta, com todo mundo me olhando. Certo. Depois de o Alex assinar, voltamos ao hall e ficamos esperando. Tava demorando e nós fomos fumar. Ficamos lá fora, enfrentando um friozão desgraçado, de terninho, até que nos chamaram. Subimos as escadas e entramos na sala da Secretaria. Uma senhora veio nos atender, disse meia dúzia de palavras bonitinhas, um cara puxou o saco dela, e ela perguntou:
- Quem tá com o juramento?
- Eu...
- Pois vamos começar.
Comecei. Levantei a mão direita e disse a primeira frase em voz alta. E então o silêncio. Ninguém repetiu. Ficou todo mundo me olhando. Eu olhei de volta, todos parados, com a mão esticada. Tiver que fazer um movimento pra que eles repetissem... algo que levantando a mão esquerda, incentivando, aí eles se tocaram e repetiram. Certo. Não era um juramento pequeno. Tinha umas vinte frases e eu fui descendo uma por uma, pausadamente, e todo mundo repetindo. Eis que eu percebo que to com a mão levantada, tipo a de nazista falando Heil Hilter!, e penso será que minha mão tá certa? Eis que paro pra olhar como estava a mão de todo mundo, e não estava igual a minha. Eles não tinham levantado a palma, como se fossem soltar um kamehameha, mas sim com a palma pra baixo. Eu abaixei a minha, isso em fração de segundos, só o tempo de dar uma olhadela e voltar pro texto... e quando voltei, não sabia onde tinha parado. Fudeu, pensei. Procura, Douglas, procura, Douglas... onde?, onde? Hahuahauhauahuahauhau.... uns cinco segundos depois, ainda bem, encontrei e continuei o juramento até o fim.
Pensa na alegria do preto quando saiu da OAB com o certificado e o número na mão? =D... mais feliz que pinto no lixo! Hahuahauhauahuahua... mais faceiro que guri de tênis novo! De lá, fomos ao shopping, todo mundo junto, inclusive o Fumaça Transamen. Passeamos lá, fomos na C&A e comprei uma camiseta listrada cinza muito massa por vintão e quis comprar um óculos escuros que caiu em mim como uma luva. Sinceramente, foi a primeira vez que eu olhei no espelho e me disse: Cara, você não ficou nada mal... hauhauahuahuahauahua... na boa, eu fiquei bem com aquele óculos... parecendo o Black Kamen Rider, mas com panca... enfim... quase levei... só não levei porque o Outro Eu me interrompeu e me lembrou que eu uso óculos de grau e que acabaria não usando nunca o escuro e que gastaria dinheiro a toa. Portanto, crianças (SIC²), aproveitem enquanto a vista de vocês é boa e usem os óculos escuros que puderem... =/
O Alex continuou comprando roupa, o Transamen ficou vendo uma sessão de roupa pra mano e eu fui lá fora fumar. A C&A fica bem de frente ao centro do shopping, onde tem uma fonte e eu sentei num banquinho ali e fiquei. Pensa na cena triste... eu fumando, com medo de que não pudesse fumar ali, olhando as pessoas passando feliz de mãos dadas, vendo as promoções do dia dos namorados, com uma música ambiente deveras filha da puta, All You Need is Love do Beatles, bem no finalzinho, quando o Paul começa a cantar ao fundo She love’s you yeah, yeah, yeah... foi foda. Foi algo que me fez voltar um pouco à acédia. E sobre isso, falarei no post seguinte, prometo!
Almoçamos em uma churrascaria indicada pelo Fumaça, depois visitamos os parentes da sogra do Alex, um por um! ¬¬ e finalmente, viemos embora. Cheguei em Dourados beirando as sete da noite. Comprei uma caixinha de skol e bebi o que agüentei, sozinho, comemorando. Não é todo dia que se tem algo pra comemorar. Ninguém tinha querido beber comigo o dia todo, então fiquei puto e decidi comemorar sozinho. Fui dormir. No outro dia continuei a comemoração e, após almoçar, fui no Zé Galinha.
O Alex, na viagem, me deu a idéia de ir procurar o Zé pra ver se ele tinha alguma ação pra me passar, porque ele tá sempre tendo ações, mas vive passando pra outros advogados assinarem, o que faz com que ele receba uma quantia. Certo. Fui lá e ele tinha! Hahuahauhauhauahua... minha primeira ação! De Pensão Alimentícia! Putz, eu quase não me coube de faceiro. Marcamos pra que eu levasse ela pronta na terça feira, protocolando no Fórum e recebendo... Pausa para reflexão... entendam (SIC) o peso da palavra no meu contexto... RECEBENDO... dinheiro, grana, cash, bufunfa, pila, mirréis, moeda, dólar... eu, o preto puto, RECEBENDO... quando na vida de vocês (SIC) um dia imaginaram que eu trabalharia e receberia? Baaarbaridade... é demais isso... acho que alguém vai ter um ataque do coração... ou vai ter ataque de riso... ... hauhauahuahauhauahu.... quando eu imaginei que receberia? Oo... hauhauahuahauhauahuahua.... para de ser otário, Douglas! Dããããã... parei, parei... voltando.... recebendo já a quantia que havia estabelecido com a cliente. Tudo estava certo. Quase saí voando do escritório do Zé... Voltei pra Karla, a Salmória tava lá, ficamos zuando até ela ir embora, depois fiquei zuando até eu ir embora e cheguei, de volta, na Quinta Ferira de madrugada. Tudo estava planejado. Fazer a ação no final de semana, totalmente caprichada, e voltar a Dourados.
Eeeeiiisss que...

- continua –

(hauhauahuahauhau... ai ai... me divirto...)
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 01:37:27

06.06.09

Da ida a Campo Grande.

Eis que, finalmente, tirei o número da minha OAB. 13.533. Agora já posso ter sala de Estado Maior caso seja preso, até ser julgado. Fica dentro do quartel em Campo Grande, tem suíte, sala com televisão de plasma e posso receber visitas. Não que eu vá utilizá-la, mas já é algo reconfortante.
Na terça feira, 4:30 da tarde, fiquei sabendo que teria uma solenidade para aqueles que tinham urgência para tirar o número no outro dia, às 9:30 da manhã. Pra que eu pudesse ir, eu tinha que pegar o ônibus dos estudantes aqui às 5:20, chegar em Dourados e, pelo fato da sogra d Alex querer ir visitar o filho dela, cunhado do Alex, nós tínhamos que ir ainda no mesmo dia, à noite. Eis que arrumei todas as coisas correndo e fui. Lá chegando, andei até a Karla e esperei o Alex chegar. 8:20 saímos de Dourados e fomos chegar em Campo Grande 11 horas. Fomos até a casa do sogro do Alex, que é separado da sogra. O cunhado, cujo nome é Douglas, é, talvez, o cara mais vida loca que eu já conheci em toda a vida. Ele tem um jeitão de mano, se refere a si próprio como Fumaça e não para de usar isso em terceira pessoa. Também se auto-intitula de Transamen, pois, segundo ele, vive transando. Como a casa do sogro não tem garagem, nós teríamos que deixar o carro na casa de um amigo do Douglas, e ele não parava de dizer:
- Vamos deixar o carro na casa do amigo do Fumaça!
Ou então:
- Fiquem tranqüilos, porque essa é a área do Fumaça!
Era um bairro quebradeira lá de Campo Grande e parecia ser bastante perigoso. Certo. Fomos pegar o amigo do Douglas num barzinho, onde estavam reunidos um monte de outros amigos dele. Quando chegamos com o carro, ele disse:
- Putz, essa guria tá aqui.
- Que guria?, perguntei.
- Aquela mercenária ali, ó... eu comi ela com mais quatro caras... enquanto um metia por trás, ela chupava o da frente.
E os outros dois?, pensei eu, mas decidi não perguntar.
Descemos do carro e eu vi a guria mais de perto. Não era feia. E o Douglas chegou perto de mim e perguntou baixinho:
- Quer transar?
-Oi?
- Quer transar com aquela guria? É só falar que eu arrumo.
- Não, não... valeu, velho... to por gosto.
- Não?
- Não.
- Não quer transar?
- Não...
- Tá...
E deu de ombros.
O amigo dele entrou no carro e fomos até a casa dele. Ficava na outra quadra. Dentro do carro, o Douglas perguntou quem ia comer a guria e o outro respondeu:
- O Fabinho acabou de comer com o Pedro. Agora trouxeram ela e ela tá esperando o Cabelo vir com o carro pra comer também.
Enfim... hauahuahauhauhauahua... né? E eu, inocentemente, perguntei:
- Quanto vocês pagam pra ela?
Os dois riram da minha cara.
- Para de ser otário!... pagar pra comer ela? Nem...
Certo. Deixamos o carro, voltamos pra casa e lá ficamos ouvindo o Douglas falar... e só ele. Falava tanto que juntava saliva no canto da boca. Quando alguém ia iniciar um assunto, ele falava algo sem pudor... sem preconceito... te interrompia sem nenhum pesar. Dentre outros assuntos, ele soltou a pérola:
- Cara... meu sonho é ser agente funerário! Putz, abrir morto, cara! Que massa! Dirigir aqueles carrões pretos... tipo carro funerário americano! Levando aqueles caixões fodões... putz, cara!, aquilo que é caixão! Meu sonho é ter um daqueles, que tem duas portas!
Eu, claro, me cagando de rir. Na hora de dormir, ele simplesmente não apagava a luz. Continuou falando sobre as mulheres que ele já havia comido ali no quarto. E então ele imitava as posições e os lugares. Depois, abriu o armário e disse:
- Putz, eu tinha trezentas e vinte camisinhas... agora to com cento e noventa e duas...
E eu disse:
- Bah, para com a punheta, velho...
- Nada! O Fumaça tem transado muito! O Fumaça é o Transamen!
Hahuahuahauhauahuahauhau... que personagem fascinante ele dará um dia.
Quando conseguimos dormir, já beirava as quatro da manhã. Acordamos no horário, tomamos banho, nos vestimos e ficamos prontos. Ocorre que, a princípio, éramos pra ir Alex e eu, mas o Douglas quis ir junto, assim como a namorada do Alex, que também estava na viagem, e a mãe dela, a sogra, e eles demoraram demais pra se arrumar, o que nos atrasou. Saímos de lá era 8:50 da manhã. Tínhamos que atravessar toda a cidade pra chegar. E o Alex me perguntava:
- Preto, você sabe onde é a OAB?
- Sei, é na Matogrosso.
- Beleza.
Eu sabia onde era, pois havia ido com o Eduardo semanas atrás.
O trânsito estava muito congestionado e o Alex começou a ficar desesperado, assim como eu. E ele perguntava:
- Preto, você tem certeza?
- Tenho.
Ele me perguntou isso tantas vezes e cada vez com mais veemência, que eu passei a desconfiar que talvez eu estivesse errado. Minhas respostas foram de:
- Tenho certeza.
Passando por:
- Acho que sim...
Até chegar em:
- Cara, não tenho certeza... posso estar errado.
Eis que a moça da OAB de lá, a Priscila nos liga e pergunta se nós não vamos chegar, pois a cerimônia estava quase começando. O Alex se desesperou ainda mais. Eu também. Então eu tive a sábia iluminação e disse:
- Cabeça, senta o pé nessa porra.
Pra encurtar o que aconteceu, só vou dizer que o Alex, que dirige pra caralho, começou a costurar o trânsito em alta velocidade e a sogra dele gritando pra ele parar, se cagando de medo de bater, rezando e gritando vários ais toda vez que ele ultrapassava rápido. Chegamos na Matogrosso, o Alex costurando o trânsito, todo mundo me perguntando se era realmente ali e eu já não tendo certeza, e a Matogrosso acabando, e nada da OAB... e vocês, caros leitores (SIC), adivinhem o que ocorreu...
TEMPO.
...
Eu estava certo! Hahuahuahauhauahuahua... era na Matogrosso! =D...
Chegamos, descemos do carro correndo e entramos na OAB...

e...

continua no próximo post. Hahuahuahauahuahua... gostei disso.
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 01:59:36