<  Julho 2009  >
S T Q Q S S D
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31    
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

08.06.09

Da ida a CG, parte três - A Re-volta da Acédia.

Eis que o Zé Galinha me liga no sábado à tarde, no intervalo do jogo do Brasil e me diz:
- Velhinho?
- Fala Zé...
- Sabe a ação lá?
- Sim?
- Larga mão... a mulher voltou aqui no escritório depois e disse que vai procurar a Defensoria. Já mandei ela tomar no cu e foda-se... vamos ganhar dinheiro com outra coisa.
Pra mim não foi fácil receber a notícia.

Já volto na continuação da frase. Primeiro, quero discorrer aqui sobre algumas coisas. Primeiramente, falar sobre a minha disposição quando criei o blog. Queria, como já disse aqui uma ou duas vezes, relatar o que se passa comigo e tirar de tudo isso uma lição que eu aprendi. Como se fosse um relato do meu aprendizado como pessoa e etc. Isso demonstra muita prepotência. =/...
O foda é que eu me acho mesmo. Tipo... durante toda a vida eu acreditei que as coisas que eu fazia eram melhores que a dos outros. Não eram. Eu também já cheguei à mesma conclusão aqui em outro post. O que é ainda mais foda é que eu detesto que me considerem prepotente. Evito ao máximo não ser, o que me leva a estar me depreciando o tempo todo. O tempo todo acreditando que o que eu faço não é bom, nunca é o suficiente. De que as minha conclusões são tão ruins, que não devem ser tidas como lição pra ninguém. Mas pensando bem, não foi pra isso que eu comecei a escrever no blog? Conseguem perceber o quanto eu acabo me contradizendo e sendo prepotente sem perceber? Parece que eu quero ser um sujeito tão mais vivido e experiente a ponto de poder dizer a vocês que isso é certo e isso é errado.
Enfim, não é isso o que eu quero. Ultimamente eu não tenho passado nenhuma lição que aprendi, apenas tenho relatado as situações que ocorrem comigo e que sempre tem algo de muito bizarro. Sei lá se vocês acham que muita coisa é mentira, mas acabam sendo os textos que todos, leia-se os poucos que lêem, gostam. Todas as vezes nas quais eu tento ser um pouco mais introspectivo e relatar uma situação com um pouco mais de descrição de como me senti e de como aquilo me afetou, acaba sendo algo vazio e sem graça. Esses são os piores. Então, a intenção primeira, a de passar exatamente isso, acaba sendo o ponto mais fraco e cansativo do blog. Parece que a cada post, é esperada outra situação engraçada, na qual eu me fudi e etc. Não, minha vida não é assim tão incrivelmente extraordinária.
E o que se tornou, então, o blog? Uma série de relatos sobre vergonha alheia? Não sei dizer, na verdade. Mesmo porque, continuo insistindo em fazer textos mais reflexivos, e por favor, não entendam isso como palavras prepotentes de alguém que se julga capaz de escrever textos reflexivos, mas entendam como palavras de alguém que tenta escrever o que sente em relação ao que vive. Mas qual a diferença? Pela enésima vez, a diferença é que eu não considero os meus textos reflexivos fodásticos, cuja capacidade seja de transformar a vida de quem lê ou levar alguém às lágrimas. Minhas reflexões são sempre melancólicas e cheias de falta de consciência. Por muitas vezes eu não enxergo a própria culpa. Prefiro jogar nos outros ou omiti-las.
Sinceramente, também não sei porque continuo fazendo isso. Se só duas ou três pessoas lêem e consideram o propósito do blog um exercício de prepotência que não passa de algo vazio e sem graça, qual é o motivo que te faz continuar com isso? Como já disse, não sei. Mesmo que ninguém lesse, eu continuaria. Com esperança de que lessem algum dia? Sim. Mas porque? Pra me sentir um pouco mais útil. Acho que é isso, afinal. Útil não no aspecto de ter uma importância social, mas de ter pessoas que te acompanham naquilo que você se predispôs a fazer e que esperam pelo novo.
No sábado à tarde, depois do meio dia, meu pai chegou com uns negócios que tinha comprado no shopping china. Ente eles, um medidor de pressão digital. Eu fui testar, porque estava preocupado com a minha, já que tenho comido azeitona pra caralho ultimamente e por ser salgada, eu estaria possivelmente com a pressão alta. É um aparelho que você põe no pulso, levanta até a altura do coração e aperta start. Depois de um tempo ele estufa, apertando teu pulso e apita, indicando os resultados. Pressão 12/8, com batimentos cardíacos em 82. Mediu o de todo mundo, inclusive o do meu irmão, que indicou 13/9. Meu pai olhou e disse:
- É compreensível... você vê o que o stress faz com a pressão... a sua está alta porque trabalha, atendendo o povo... o Douglas, por exemplo... a dele tá normal porque não faz nada!
Disse e todo mundo riu. Eu ri sem graça, mas pensei na ação de alimentos que eu tinha pra fazer e na minha primeira audiência que iria ter que enfrentar, daqui um mês mais ou menos.
Então, voltando à frase, no intervalo do jogo, o Zé me liga e me dá a notícia de que eu não tinha mais que fazê-la. Não recebi bem a notícia. Era o que eu tinha. Estava feliz porque era algo no qual estava me apoiando como um recomeço, uma mudança, um inicio de responsabilidade e fonte de dinheiro, meu dinheiro, que eu ganharia.
Semana passada, meus pais compraram um tapete bem bonito pra por na sala. Bem grande, deixando o ambiente todo bastante unido, dando um toque bem massa pro conjunto todo, bastante macio. Eu adorei o tapete. Sempre disse que eu teria um tapete na minha casa, que ficaria na sala e que eu cuidaria como um louco. A minha fantasiosa sala, com quadros e uma televisão gigante, sofás confortáveis, um bar gramde, onde ficaria o dia todo e o tapete. Enfim, eles compraram o tapete pra sala deles e eu passei a cuidar. Não deixei ninguém pisar nele com calçado. Quem chegava, eu mandava tirar o sapato. Me chamaram de chato, incomodativo, a minha irmã me mandou ficar quieto e não tirou, eu quis ficar puto, mas meus pais riram e disseram pra entrar, que eu é quem estava dando uma de bobo. Tá, concordo que eu estava sendo chato, mas eu tomei o fato de cuidar do tapete como algo que eu tinha que fazer, como uma obrigação, como uma tarefa. No sábado, já sem ânimo pra nada, depois de ter dado uma volta com o Marcel e o Nehme, voltei e fui assistir um filme. Peguei um copo de coca, deitei no sofá, dispus o copo no chão e fiquei assistindo. Lá pela metade do filme me deu vontade de fumar e eu fui. Fiquei fumando, pensando, bastante triste com tudo. Quando o cigarro acabou, o joguei e voltei. Não quis ligar a luz, então fui entrando lentamente, indo em direção ao sofá. Senti algo batendo no meu pé, o barulho do copo caindo no macio. Lembrei da coca. Lembrei do tapete. Liguei a luz rapidamente e vi que lá estava a poça, bem no meio do dito cujo. Me desesperei. Tirei a camiseta e fiquei tentando secar o excesso. Em vão. Fiquei incrivelmente puto comigo mesmo, me xingando em voz alta. Quando percebi que não tinha mais o que fazer, continuei vendo o filme. Sete Vidas, com o Wil Smith. Gostei bastante. Até recomendo. Mesmo.
No meio da semana passada, fiquei sabendo da história do menino, gaúcho, de 16 anos que havia, após incentivo de uma comunidade no orkut, se matado usando gás. Depois, o pai dele achou no computador um monte de músicas que ele havia composto, gravadas de modo quase profissional, com sobreposição de instrumentos, inclusive de voz, que por sinal, era bastante boa. Uma gravadora do Rio Grande do Sul resolveu lançar um CD com as músicas. Pegou trinta duas e lançou. Agora, um selo de uma grande gravadora de Nova York, resolveu lançar todas, mais de sessenta. Os críticos de lá dizem que o garoto é um achado, que tem extrema qualidade. A história dele mexeu bastante comigo, de um modo estranho. Lançariam o CD dele se ele não tivesse se matado? Ele teria feito tantas músicas se não sofresse pra caralho? Ele é realmente bom, e eu acho que seja, ou o fato de ele ter se matado faz com que exista uma aura de excentricidade e confusão que não permite que se veja além? Eu teria gostado das músicas ou, por inveja, o teria chamado de emo? Passei pensando sobre isso durante um par de dias. Hoje, eu já tenho uma opinião formada sobre o assunto, mas não vou falar sobre isso aqui.
A semana toda não tinha sido boa, afinal. Estou em um ciclo irritante de tentativa de recomeços que não me fazem melhor, porque, por absoluta falta de vontade, nunca dão certo. A culpa disso não é de ninguém, vejam bem, é minha. Se hoje eu estou assim, é porque a culpa é minha. Ninguém pode me mudar por mim. Ninguém me deve nada a ponto de se sacrificar pra me ajudar. Nem quero que isso aconteça. Foi que, sábado, com uma melancolia filha da puta, após assistir ao filme, que tem um final que a mim fez todo o sentido, com o tapete manchado, sem nenhuma sustentação, sem ninguém, depois das três da manhã, vim aqui no computador e tinha cinco contatos online. Inclusive a Karla. Falei com todos, mesmo não falando com os outros quatro há anos, pra ver se me respondiam. Ninguém respondeu. Naquele horário, num sábado, ou já estavam dormindo, ou estavam festando, mas têm o hábito de deixar o computador ligado. Ninguém respondeu e me deu um desespero do inferno. Fui lá fora fumar. Estava tremendo, fumando compulsivamente, com a cabeça girando a mil... hoje, relatando aqui, sinto vergonha, mas senti vontade de morrer. Voltei e me tranquei no banheiro. Sentei no vaso e fiquei muito tempo pensando bobeiras, que não falo aqui por serem infantis demais. Sentia repulsa de me ver no espelho. Pensei em tanta coisa, que até me perdia. Tudo vinha de modo amplificado. Passei a sentir tudo com mais força. Fiquei triste pra caralho, sem poder falar com ninguém. Não foi algo que me deu vontade de chorar. Eu, sinceramente, não me considerei um coitadinho. Isso foi o mais estranho. Talvez pelo fato de ter sempre detestado parecer o coitadinho, acabei não me sentindo assim. Levantei, lavei o rosto e voltei a fumar. Era cinco e pouco da manhã, estava frio pra caralho. Quando voltei, deitei e dormi.
Acho que foi a única vez, dentre todas as outras lá em Dourados, que eu me senti triste a ponto de ter atitudes suicidas. Isso é tão nojento, tão repulsivo e infantil, que eu falo apenas pra chegar a ponto de dizer que já passou. Sei lá se me entendem, mas acredito que não falaria disso aqui se não tivesse superado. Sei lá... realmente, não sei.
O Domingo não foi muito melhor, mas eu estava mais tranqüilo. Ainda bastante triste e sem vontades, mas no nível normal de sempre. À noite fui na festa junina da Mappe ver o Nehme dançar quadrilha, conversei, ri, zuei, depois voltei pra casa. Entrei no MSN e não tinha nada. Ninguém havia respondido o que eu tinha dito na madrugada anterior. Sem me achar o coitadinho, eu ri e disse foda-se, escrevendo aqui no blog. A parte dois da ida a Campo Grande. Acho que a mais engraçada delas.
O que eu quero passar com esse post, é que eu passei por dias estranhos e deveras sinuosos. Mas to tranqüilo. Como sempre.
De resto, como sempre faço, ao próximo post. Devo escrever algo no dia dos namorados.

Ou não!

Hahuahuahauhauhauahua....
=D
  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 19:10:03
comentário
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.