<  Julho 2009  >
S T Q Q S S D
    1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31    
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

19.05.09

Da passagem.

Pequeno conto que escrevi faz um tempo. Eu gosto dele... acho engraçado...

"se fudeu."

É um pouco inacreditável, eu assumo. Porque na verdade, eu não creio ter levado mais do que dois segundos para estar no chão, e toda vez que conto ninguém acredita e todo mundo, sem nenhuma exceção, ri. Até mesmo meu irmão autista ri. E, rindo, quando chego numa roda e tem alguém que eu não conheço, meus amigos pedem para que eu conte. E eu conto, sem nenhum problema, porque eu sei o que vi. E começo sempre da mesma forma:
Eu tava indo de bicicleta, tranquilão, pela mão, lá pelas quatro da tarde. Beleza. Sabe aquela via dupla ali, indo daqui pra lá, uma antes da Presidente Vargas? Então. Eu tava distraído, e passei a primeira rua ultrapassando um Corsa pela esquerda, e como ele tava indo devagar, foi me dando cobertura, e eu não vi que na outra rua vinha uma caminhonete, muito rápido, sem noção. E do nada o Corsa freia e eu continuo, e quando vejo ta a frente da caminhonete em cima de mim. Eu não senti nada. Apenas voei, pro sentido em que ela me bateu, e vi minha queda em câmera lenta. Primeiro foi meu boné passando bem na minha frente, girando vagarosamente. E eu deitando, aos poucos também, e do nada minha bicicleta, toda fudida passando um pouco acima. E eu olhava tudo na moral, ta ligado? Na moral mesmo, só que as coisas estavam em câmera lenta! E eu fui indo, flutuando, dei uma volta no ar, e vi a caminhonete continuar a passar, e vi a cara feia do motorista, cara de assustado. Fui girando, e girando, e do nada vi um fada verde. Sabe a sininho do Peter Pan? É sério, cara. Eu vi! Era verde! Bem na minha frente. Só que ela estava numa velocidade normal. Voando na frente da minha cara. Fazendo uns barulhinhos de sino mesmo, blim blim blim, e voando. E fui girando, vagarosamente, e a dona do corsa também com uma cara feia. Minha bicicleta subindo ainda. Meu boné descendo. Meu celular passando rente ao meu nariz. Ainda pude a ver que a bateria tava na metade. Sabe? E o chão começou a se aproximar e eu comecei a me preocupar com a forma que eu ia cair. Era certeza que eu ia morrer. E então senti falta. Mas pensei “sentir falta do que? De quem?” Não sei. O que eu posso afirmar é que se houvesse alguém importante para mim eu teria sentido falta dela naquele momento. Vou morrer, foi o que pensei. E o meio fio foi se aproximando, e eu me cagando, e a bicicleta descendo, e meu celular acompanhando, sininho voando, boné não vi mais, a caminhonete continuando, a cara feia da mulher do Corsa aumentando, e o chão aproximando. Então vi Deus. Encostado naquele muro da clínica, sabe? Encostado, de braços cruzados, com um pé apoiado na parede, rindo. E o que foi que ele te disse? Se fudeu.

ainda hoje, ou talvez não, eu escrevo sobre meu final de semana. =)

  • criado por  douglasmangini criado por douglasmangini
  • Postado em 16:10:17
5 comentários
Comente este post:




Seu e-mail não será mostrado neste site.




tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, a, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
URLs, e-mail's, AIM e ICQs serão convertidos automaticamente.