07.07.09
Da refletida.
Porra, velho, agora eu fiquei de cara. Tinha essa guria, a Melany. Ela estudou comigo boa parte da minha vida. Ela sempre foi muito linda. Ela tem uma tia pela qual sou completamente apaixonado. Dizem que a tia dela é burra feito uma porta, mas eu sou gamado mesmo assim. Ela tem um rosto lindo, é alta, magra, anda e se veste com estilo. Tem um cabelo liso, muuuito liso, pelo ombro. A Melany é igualzinha a tia. Eu nunca nutri nenhuma paixaozinha infantil pela Melany, mas nem por isso deixei de achá-la linda. Eu também estudei com outra menina muuuito gata, a Nayara, que era amiga da Melany. Certo. Como eu já disse aqui mil vezes, eu fui uma criança e um adolescente insuportável. Sempre o mais bobo, o que tentava a todo custo ser mais engraçado, o mais tapado, o mais mané, o mais incomodativo.
A primeira festa que eu fui na minha vida, foi um aniversário de 13 anos da Nayara. Como ela faz aniversário em Outubro, lá pelo fim do mês, o aniversário dela foi de Dia das Bruxas. Eu lembro até hoje do convite. Tava escrito que era pra ir à caráter ou todo preto. Como eu não sabia o que era à caráter, fui e comprei uma camiseta preta. Fui pra festa. Eu estava tão feliz por ter sido convidado, que tive que atazanar todo mundo. Incomodando, dando uma de nerd bobo. Enquanto todo mundo tentava pegar alguém, eu estava ali só pra tentar chamar a atenção. Tentando ser o cult da história. Eu era muito menor do que todo mundo. Sempre fui baixinho e franzino. Cabelinho muito preto, enrrolado, penteado pro lado. Naquela época eu ainda não usava óculos. Eu não lembro se eu bebi álcool naquela noite. Acho que não. Eu andava com os sujeitos nerds da minha sala, e com certeza devo ter bebido refrigerante. Hauhauhauahuahua... enfim...
Eis que chego cedinho na festa, não tinha quase ninguém. Conforme foram chegando eu vi que quase ninguém estava fantasiado. Era uma festa normal, com gente vestindo preto. Eis que chega a Melany. Toda linda, fantasiada de bruxa. Ela sempre foi alta. Era um vestidão roxo, com um chapelão enorme, com um material de renda nas bordas, fazendo uma espécie de véu. Ela foi chegando e todo mundo foi cumprimentar. Eu estava passando bem na hora. Ela estava de costas pra mim. Eu precisava que ela me visse. Eu precisava dar oi. Eu era tão idiota, que eu achava que todas as vezes que ela me fez cara de “sai daqui, guri, pelo amor de deus” fosse uma cara de “hauhauahua... eu adoro você”. Ou quase isso... continuando... pra chamar a atenção dela, eu dou um puxão no véu. Foi um puxão mesmo. Eu não sabia que não podia puxar, então puxei. Acabei que estraguei o chapéu da guria. Desmanchei o penteado dela, porque com o puxão, o chapéu veio junto e desfez o cabelo. Assim, eu puxei e dei aquela risadinha de “ahá, sacaniei..”. Eu não consigo lembrar de todas as palavras que a guria usou pra me xingar. Hoje eu vejo que ela deveria ter me batido. Me jogado no chão e pisado no meu saco. Ela deve ter ficado o dia todo se arrumando. Em cinco minutos na festa, eu estraguei a fantasia dela. Eu lembro que ela chorou de raiva. Mesmo. As imagens que eu tenho da festa são poucas, mas uma delas é ver a Melany com os olhos vermelhos, me olhando com raiva.
Eu lembro que antes do aniversário da Nayara, teve o aniversário da Melany. Foi numa pizzaria. Eu lembro do convite também. Era todo chique, em formato de casa, com aqueles dizeres de sempre “venha celebrar comigo...”. Eu não ganhei um. O Hivan, amigo meu, ganhou. Me mostrou e disse pra eu não contar pra ninguém. A Melany tinha escolhido apenas alguns pra convidar. Eu não. Hahuahauhauahuahua....
Eu não me arrependo de ter zuado ela na festa. Ela foi cuzona comigo em não me convidar. Isso me marcou pra caralho. Hoje, como ocorreu com a gincana, eu falo de boa, porque não há mais, como dizer, marcas. Hoje eu lembro como algo que passou. Mais uma história. Na época, me deixou muito triste. Eu já tinha esse complexo de rejeição e a guria vai e me faz uma dessas. Como eu disse, pra mim, eu era agradável, gente fina, um cara legal. Mas não. Ninguém me suportava, já desde aquela época. Ter noção disso aos treze é foda.
A Melany foi embora pra Campo Grande no 1° anos. Desde então eu nunca mais tinha visto. Nunca mesmo. No final de semana a Karla me manda o orkut dela. A percebo completamente linda, mas bonita que a tia dela. Com um corpão, mesmo rosto lindo, cabelos lisos até quase a bunda. Mandei um convite pra ela me aceitar “ooi, tudo bem?? Lembrada de mim? Acho que não tão boas lembranças, rsrsrs.. aceita aee =)”.
Ela não aceitou.
Porra velho, fiquei de cara. Querendo ou não, eu estudei com a guria desde a segunda série. Foram sete anos convivendo todos os dias. A guria morava perto da minha casa. Eu nunca teria chances de comer e nunca nutri nenhum sentimento a esse respeito. Quando eu a adicionei no orkut, foi totalmente desvinculado da idéia de tentar comê-la. Foi apenas um impulso de ter encontrado uma pessoa que estudou comigo durante muito tempo e que eu não via há anos. E ela não aceitou. Ela aceitou todo mundo! A Karla, o Gabriel, o Cyrus, a Adely, a Selma... menos o preto.
Fiquei muito de cara. Tipo... sei lá o real motivo... eu ando muito paranóico com uma pergunta que ronda a minha cabeça há meses: o que eu represento às pessoas?
Pra Melany? Nada.
Bom... foda-se. Já passou. Não foi algo que inflamou a minha acédia. Não mesmo. Estou como estava antes de adicionar. Mas a sensação de não representar nada continua. Enfim... mais um post.
E olha que esse eu tirei da cartola. Nem lembrava mais dessa história do chapéu.
Beijo na bunda.
Até o próximo.
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criado por douglasmangini
16:02:48